A exclusão de dez deputados no jantar oferecido pelo governador Paulo Hartung à Assembleia Legislativa na última segunda-feira (17) continua repercutindo nos meios políticos. A impressão passada com a atitude do Executivo foi de que havia um recado claro para os parlamentares que votaram contra o projeto de reestruturação da Polícia Militar, de que haveria retaliação palaciana.
Mas ao inverter o foco da situação, o governo é que pode se complicar se levar à frente essa questão. Isso porque, dez deputados somam um terço da Casa, um número arriscado para quem precisa aprovar projetos, já que o presidente não vota e a falta de um ou outro deputado da base poderia colocar em risco as matérias de interesse do governo do Estado.
Para os meios políticos, a tensão política tende a aumentar no segundo semestre deste ano, com as reformas políticas em curso em Brasília e a necessidade do governador de aumentar seu capital político. Em alguns casos, entre os excluídos, a reconciliação não é uma hipótese, como é o caso dos deputados Sérgio Majeski (PSDB), Theodorico Ferraço (DEM) e os pedetistas Josias da Vitória e Euclério Sampaio.
Entre os demais, o problema de Hartung é que alguns não dependem do governo para garantir suas reeleições, como é o caso de Padre Honório (PT), que tem sólida base no noroeste do Estado. O deputado Marcos Bruno (Rede), embora tenha uma atuação tímida no plenário, se movimenta muito bem pelo Estado e tem costurado uma boa condição de disputa, sem depender do governador.
A movimentação do plenário vai depender de como Hartung vai conduzir o atendimento das emendas parlamentares apontadas no Orçamento. Caso se repita a movimentação do ano passado, quando só foram aplicados R$ 500 mil de R$ 1,2 milhão prometidos, a situação pode ficar complicada, ainda mais porque, em 2016, alguns aliados mais fiéis ao governador tiveram as emendas atendidas na integralidade, o que revoltou muitos deputados.
Com a proximidade do ano eleitoral, em que os parlamentares estarão em campo para disputar a reeleição para seus cargos, a tendência é de que o plenário fique mais arredio. Se o governo não se fortalecer como pretende, pode acabar vulnerável diante da Assembleia Legislativa.

