Os tramites do julgamento das contas do ex-prefeito de Guarapari, deputado estadual Edson Magalhães (de saía do PMDB), relativas ao exercício na prefeitura de 2011, estão chegando ao fim no Tribunal de Contas do Estado (TCES). Em breve, o documento com o parecer do TCE será enviado à Câmara de Guarapari para o chamado julgamento político.
Mas para quem acompanhou o processo de perto, o deputado terá muita dificuldade em reverter sua situação, seja tecnicamente ou politicamente. A tendência é pela manutenção da rejeição das contas do ex-prefeito, o que pode tirar Magalhães da corrida à prefeitura de Guarapari. O deputado é um dos favoritos. Caso a rejeição das contas se confirme, o ex-prefeito pode prejudicar ainda sua reeleição à Assembleia, pois se tornaria inelegível por oito anos.
O relatório da área técnica do tribunal apontou mais de 10 irregularidades nos balancetes apresentados pela gestão do então prefeito, mas um deles causa mais preocupação entre seus aliados. Os repasses determinados pela constituição para a educação, que não teriam sido respeitados.
Mas para os observadores, o revés de Magalhães poderia ser evitado. Enquanto sua defesa ficou discutindo os índices, poderia ter procurado outros caminhos, como apresentar investimentos indiretos.
Se a discussão técnica é desfavorável, o teor político é ainda mais complicado. Dos 17 vereadores, apenas quatro seriam ligados ao ex-prefeito e na Câmara o clima hoje seria adverso a Magalhães. O atual prefeito Orly Gomes (DEM), que já foi aliado do ex-prefeito no passado, tem maioria na Casa e interesse em ter Magalhães fora do páreo.
Os aliados do ex-prefeito, porém, estariam mirando na cidade outro alvo. Como foi o conselheiro Sérgio Borges que relatou as contas do ex-prefeito, ele está sendo colocado como algoz de Edson Magalhães. Mas a situação é complicada dentro da Câmara e não na rua. Por isso, a movimentação de Edson Magalhães pode não ter eficácia.
Se tiver as contas rejeitadas pela Câmara, o deputado pode ficar inelegível por oito anos. Com a condenação colegiada, o Ministério Público Eleitoral pede a impugnação de candidatura e, embora caiba recurso, a expectativa é de que este ano os processos tenham menos tolerância da Justiça Eleitoral.

