Em meio às articulações para a nova eleição em Guarapari, o PPS ameaça de expulsão o prefeito Edson Magalhães. Esse posicionamento do partido pode prejudicar as manobras que ele vinha fazendo em favor dos aliados para a manutenção do poder, mesmo que por outras mãos, enquanto tenta reverter no Supremo Tribunal Federal (STF) a decisão que impugnou sua candidatura à reeleição.
A insatisfação no PPS com o comportamento do prefeito de Guarapari é antiga. Desde que assumiu a prefeitura, Edson adotou uma postura de defesa do interesse de seu grupo, ligado ao deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM). Dessa forma, não respeitava as decisões partidárias e a sua saída do partido já vinha sendo cogitada muito antes da eleição deste ano.
Com os resultados dos pleitos municipais, o PPS saiu muito fortalecido, com as eleições dos prefeitos de Vitória, Luciano Rezende – que, aliás, é o presidente do partido – e de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho. Já Magalhães passa por um momento de fragilidade política.
Mesmo acreditando ainda ser possível reverter sua situação política por força de liminar, ele dificilmente vai conseguir voltar à prefeitura, além disso, a capacidade de transferência de votos dele para o aliado, o empresário Orly Gomes (DEM), escolhido para substituí-lo no novo pleito, é fraca, segundo os meios políticos locais.
Por isso, o momento para tirar Magalhães do PPS é considerado propício. Essa movimentação pode prejudicar ainda mais as manobras que o prefeito vem fazendo no município para tentar manter seu grupo à frente da prefeitura.
Por outro lado, porém, a falta de unidade no PSB, principal adversário do grupo do prefeito, pode beneficiá-lo nesse processo. Os socialistas entendem que nessa nova disputa, o ideal seria uma substituição do concorrente. Em vez de Ricardo Conde, que disputou com Edson em outubro passado, o nome mais propício seria o do vereador eleito Gedson Merízio.
Embora haja uma movimentação muito grande em favor do vereador, Conde estaria insistindo na candidatura e estaria disposto a negociar com o grupo de Magalhães. Para os meios políticos, esse desentendimento dentro do PSB pode fazer com que o partido perca a oportunidade, desperdiçando o momento de fragilidade política de Magalhães.
As eleições em Guarapari ainda não têm data para serem realizadas. Os eleitores do município aguardam a resposta do Supremo ao recurso especial impetrado por Edson Magalhães, tentando validar os votos que obteve na eleição de outubro.
O prefeito teve a candidatura impugnada porque a Justiça Eleitoral entendeu que ele estaria tentando o terceiro mandato, já que assumiu a prefeitura quando era vice, com o afastamento do prefeito Antonico Gottardo, tendo saído da administração após o prazo de desincompatibilização estabelecido pela legislação eleitoral.