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​Folha de S.Paulo vai ao STF contra decisão sobre vídeo de Marcos do Val

Jornal contesta a Justiça Estadual e diz que o senador tirou declarações do médico Drauzio Varella do contexto 

Decisão do juiz Rodrigo Cardoso Freitas, da 5ª Vara Cível de Vitória, que acatou pedidos do senador Marcos do Val (Podemos), é contestada pelo jornal Folha de S.Paulo no Supremo Tribunal Federal (STF), visando suspender a determinação de que um texto de checagem de fatos divulgados por ele fosse retirado do site do jornal e que uma retratação fosse publicada. A checagem foi feita em um vídeo publicado pelo congressista em suas redes sociais.

Já houve recurso em segunda instância, que foi negado, o que levou o veículo de imprensa a acionar o STF. “Além da remoção do texto e da retratação em relação ao conteúdo e à classificação da checagem, a decisão determina que a Folha não republique o texto objeto da ação ou que tenha relação com ele, sob pena de multa diária”, informa o jornal.

A checagem reproduzia trechos de uma fala do médico Drauzio Varella no início da pandemia da Covid-19, vídeo considerado enganoso pelos checadores do Projeto Comprova, pelo fato de minimizar a gravidade da pandemia, sem informar que o vídeo fora produzido em 2020. A mensagem omitia que o médico já havia reconsiderado seu posicionamento, afirmando haver subestimado a doença.

A Folha ressalta que, “conforme consta na ação, mesmo tendo sido comunicado pelo Comprova a respeito da distorção, Marcos do Val manteve a postagem nas redes sociais. Tanto a assessoria do senador como do médico foram contatadas pelos checadores”.

Em nota, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) protesta contra a decisão de retirada do conteúdo. “A ANJ espera que decisão do juiz do Espírito Santo seja revista, pois fere o princípio constitucional da liberdade de imprensa”.

A associação afirmou ainda que “o trabalho de checagem dos fatos feito pelo Projeto Comprova, assim como outras iniciativas similares, é fundamental no combate aos males da desinformação e deveria ser valorizado, e não penalizado pelas instituições do país”.


Diz a Folha: “O Comprova demonstrou que a postagem do senador tirou as declarações de Drauzio Varella do contexto e do momento em que veiculadas, e que teria o potencial de desinformar aqueles que a visualizassem, num momento em que o país é assolado pela pandemia”.

O Projeto Comprova considera como enganoso “todo conteúdo retirado do contexto original e usado em outro com o propósito de mudar o seu significado ou o conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano”.

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