Talvez a maior esperteza política do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), foi perceber uma coisa que boa parte das lideranças políticas com potencial para chegar ao comando do Estado em um futuro próximo ainda não percebeu: não há espaço para um crescimento político dentro do grupo do governador Paulo Hartung (PMDB).
Rezende até tentou no seu primeiro mandato se aproximar de Hartung, mas logo entendeu que seu grupo é fechado e o voo dos aliados é controlado. Neste sentido, reforçou seus laços com o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e deixou transparecer uma espécie de acordo com o socialista para o futuro.
Em 2018, Casagrande pode tentar retornar ao governo com o apoio do prefeito. Enquanto isso Luciano Rezende se organiza e prepara seu grupo para um plano mais ambicioso em 2022, o governo do Estado. Para isso, o prefeito tem feito uma série de movimentos de fortalecimento de seu partido. Esse é o primeiro passo para quem precisa criar a capilaridade necessária para dar um passo dessa grandeza.
Rezende retomou uma aproximação com o prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), que não esboça uma movimentação em direção ao Palácio Anchieta, por enquanto, mas saiu vitorioso em um pleito complicado, reelegendo-se prefeito em uma das maiores cidades do Estado. Isso une o PPS e permite que o partido se fortaleça.
Outro passo foi a abertura de espaço para novas lideranças, com a chegada de dois novos vereadores do partido à Câmara de Vitória: Leonil e Deninho. Ainda que isso possa trazer alguns problemas de comunicação como já vem acontecendo, o partido tem conseguido contornar atritos no Legislativo municipal, assegurando a governabilidade do prefeito nos quatro anos que ficaram para trás e nesse início de gestão.
Assim, resta a Luciano a tarefa, não tão fácil como parece, de garantir um segundo mandato de visibilidade à frente da Capital para ampliar sua imagem pelo Estado. Com isso ele terá musculatura para um voo mais alto e terá convencido a classe política de que a sobrevivência de uma liderança não passa necessariamente por uma parceria harmônica com o governador Paulo Hartung e seu projeto de unanimidade.

