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Gildevan Fernandes deixa liderança do governo na Assembleia Legislativa

(Atualizada às 8h59) O deputado Gildevan Fernandes (PMDB) anunciou nesta sexta-feira (5) que está deixando a liderança do governo na Assembleia. Desgastado, o deputado não estava conseguindo garantir a harmonia entre o governo do Estado e os deputados estaduais. Para os meios políticos, o peemedebista estaria sem trânsito até mesmo com os deputados da base do governo.
 
Com a eleição de Erick Musso (PMDB), ex-více-líder do governo na Casa e a redistribuição dos cargos no início do ano, na Assembleia, a expectativa era de que a liderança também fosse renovada. Mas em mensagem enviada à Casa, o governador Paulo Hartung (PMDB) manteve a liderança nas mãos de Gildevan, mudando apenas o vice-líder, que passou a ser Jamir Malini (PP).  
 
O progressista, aliás, é um dos nomes na lista. Também são cotados os deputados Dary Pagung (PRP) e Rodrigo Coelho (PDT). O pedetista, logo que deixou o comando da Secretaria de Assistência Social, era cotado, inicialmente, para ser presidente da Mesa Diretora. Como seu projeto naufragou logo de cara, ele passou a ser cogitado para a liderança do governo, mas seu nome também não vingou. Ficou patente que Coelho também sempre teve dificuldade em se movimentar no Plenário. 
 
Pagung, à frente da Comissão de Finanças, tem conseguido aprovar suas emendas em detrimento das dos colegas, o que também é um ponto que dificulta sua aceitação entre os deputados.
 
Independentemente da escolha do governador, a expectativa é de que a relação com o líder deverá mudar, já que o perfil do governo será outro no restante do ano. Para recuperar sua imagem, arranhada com a greve da Polícia Militar e as delações que o envolvem no esquema de “caixa 2” da Odebrecht, o governador vem iniciando um discurso de que a crise econômica estaria passando e o momento será de entregas e investimentos.
 
Por isso, a tendência é de que o Executivo passe a ser mais generoso com as emendas e projetos dos deputados e com suas bases. Com a mudança de perfil seria importante para o governo mudar o líder para marcar a ruptura com o momento de crise. Gildevan, que ganhou fama e a antipatia dos colegas por represar as matérias de iniciativa da Casa, liderou o governo em um momento difícil politicamente, mas foi recompensado em sua base, por isso, não deve sair da liderança atirando.
 
Em muitos momentos, o líder comprometeu a movimentação do governo, como no mês passado, quando não conseguiu conter a articulação para a criação da CPI da Cesan. Foi necessária uma desgastante manobra para evitar que a comissão fosse criada, porque Gildevan não conseguiu desmobilizar os deputados que assinaram o documento protocolado pelo deputado Euclério Sampaio (PDT). Em outros momentos, o deputado precisou entrar em embates acalorados para defender as ideias do governo. Desde o início do ano, o líder tem articulado as derrubadas das sessões por não ter certeza sobre o número necessário de votos para derrubar os projetos dos deputados ou aprovar projetos do governo.
 
Sua passagem pelo cargo não foi fácil até pelo momento político do Estado. Já o novo líder, porém, terá o desafio de liderar com uma Assembleia que agora estuda a possibilidade de formalizar um grupo de oposição, com o qual deverá travar debates sobre as matérias e atitudes do governo em relação à Assembleia. Quanto à interlocução, a função parece estar sendo assumida pelo presidente da Mesa Diretora, Erick Musso, que nessa quarta-feira (4) se reuniu em um almoço com os deputados da base, exceto, não por acaso, Gildevan Fernandes.
 
Para os meios políticos, a ausência foi simbólica e já representava o momento de transição no Legislativo, embora alguns deputados garantam que só souberam da saída do líder nesta sexta-feira (5) por meio de notícia publicada Gazeta online.
 
Em nota, o deputado Gildevan se manifestou sobre sua saída do governo. Leia abaixo.
 
Sentimento de dever cumprido. Foi sob esse argumento que me dirigi ao governador por quem mantenho respeito, admiração e lealdade. Agradeço pela confiança deferida a mim no exercício desta nobre e desafiadora função, mas entendo que este ciclo está concluído”, declarou o parlamentar.
 
Durante a minha Liderança nenhum veto foi derrubado e todos os projetos do governo que foram apreciados foram aprovados. Projetos estes importantes para a reestruturação do nosso Estado. Orgulho-me deste legado que entreguei para o povo capixaba. Senti a necessidade de manter maior foco no meu mandato, nas minhas atividades parlamentares e na presidência da Comissão de Constituição e Justiça que muito me demanda. Estou a postos para continuar contribuindo com o Espírito Santo e com a gestão do governador Paulo Hartung.

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