Quando anunciou no início do mês que retornaria aos Estados Unidos para um evento em New Haven, Estados Unidos, o governador Paulo Hartung (PMDB) deu a entender que o sucesso de seu modelo de gestão havia ganhado projeção internacional. Ao lado de outras lideranças nacionais, ele afirmou que seria uma oportunidade de trocar experiência com lideranças mundiais.
“Será uma importante oportunidade para discutir gestão com lideranças do mundo afora. Será uma experiência importante para saber o que pensam e fazem as lideranças mundiais neste período desafiador”, disse o governador ao site do governo antes da partida.
Mas a coisa não é bem assim. O “Encontro de Altas Autoridades: uma nova gestão pública para um novo Brasil” – evento promovido pela Fundação Lemann, em parceria com a universidade de Yale – convidou para a apresentação 30 lideranças brasileiras, além de representantes de Cingapura e do Chile. E o modelo capixaba não era o único a ser apresentado, aliás, nem seria o de maior sucesso.
Além de Hartung também participaram do encontro outros dois governadores: Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco, e Camilo Santana (PT), do Ceará. O petista, que falou nessa segunda-feira (20), apresentou resultados mais interessantes que os do governador do Espírito Santo. Também participaram os ex-governadores do Ceará, Cid Gomes; e o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, além de gestores públicos, privados e representantes da sociedade civil.
Assim como Hartung, Camilo Santana também destacou o ajuste fiscal promovido no Ceará, que mostra resultados mais positivos do que os do Espírito Santo. A superioridade da gestão cearense em relação aos outros Estados foi comprovada em um estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), de maio deste ano.
O levantamento apontou que Ceará e Espírito Santo estão entre os que gastam menos com pessoal em relação à Receita Corrente Líquida. O Espírito Santo aparece em quinto lugar com 51,9% do orçamento aplicado em pagamento de pessoal; 26,4% em pagamento de dívidas; 37,7% em caixa e apenas 4% destinados a investimentos. Uma realidade bem diferente do primeiro da lista, o Ceará, que tem 11,1% destinados ao investimento, mesmo com 49,3% comprometidos com a folha de pagamento. Além do Ceará, também tem alta taxa de investimentos Piauí e Bahia. Só investiram menos que o Espírito Santo, Paraná, Roraima, Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás, Amapá e Rio Grande do Sul.
Até mesmo na principal bandeira de campanha de Hartung, ele fica atrás do Ceará. Mesmo com o grande investimento em publicidade com as 17 unidades do Escola Viva inauguradas no Espírito Santo, o Estado não está nem perto do Ceará neste quesito. São 189 escolas em período integral, com mais de 65 mil alunos matriculados naquele Estado.

