O governador Paulo Hartung (PMDB) se reuniu mais uma vez com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Desta vez a agenda foi oficial e tratou da participação como economista em uma reunião na manhã desta quarta-feira (9) ao lado de outros especialistas da área econômica. O objetivo seria a análise do impacto da Reforma Previdenciária. A reforma é rejeitada pela maioria da população, mas já foi defendida por Hartung.
Defensor irredutível do equilíbrio fiscal, mesmo que à custa de sobrecarga para o trabalhador, o governador apóia, sobretudo, a questão do aumento da idade mínima para a aposentadoria. Ele já fez uma série de declarações na defesa das reformas como a “única forma de geração de emprego”, que vem sendo o subterfúgio usado pela classe política para tentar legitimar as reformas em tramitação no Congresso, como aconteceu com a reforma trabalhista.
Agenda oficial à parte, a classe política especula sobre mais uma conversa com o presidente da Câmara, depois da admissão do próprio governo de que Hartung estaria em conversas avançadas com o DEM, de Maia. Desde a vinda do presidente da Câmara ao Estado, para um almoço com o governador, com a presença de lideranças políticas do Estado, em agenda não oficial, essa posição vem sendo cogitada nos meios políticos.
Ao se confirmar uma leitura corrente nos meios políticos de que o governador estaria disposto a encarar a campanha à reeleição e teria “escolhido” como adversária a senadora Rose de Freitas (PMDB), por entender que ela seria uma concorrente, segundo interlocutores, facilmente superável, um dos dois vai ter de deixar o partido.
No início da semana chegou a ser ventilada a possibilidade de a senadora retornar ao ninho tucano, mas para os meios políticos essa foi apenas uma estratégia para tentar tirar Hartung da zona de conforto. A própria Rose se encarregou de desmentir o assunto, afirmando que permaneceria no PMDB e estaria disposta a enfrentar Hartung em convenção.
Sem espaço no PSDB, Hartung estaria buscando uma aproximação com o DEM, o partido do segundo homem mais forte do País hoje, depois de Temer. Este é o terceiro encontro entre Hartung e Maia em dois meses. O primeiro aconteceu em junho, com a vinda do presidente da Câmara ao Estado. Na época, o assunto foi tratado como o mesmo viés do encontro de hoje: as reformas em tramitação na Câmara.
No último dia 27 de julho, no mesmo dia em que o jornal Valor Econômico expôs o real motivo do encontro de Hartung e Maia no Espírito Santo, revelando que eles estavam costurando uma eventual migração do governador para o DEM, houve uma reunião do peemedebista com o presidente Michel Temer e o deputado Rodrigo Maia. O tema oficial do encontro teria sido a paralisação das obras da BR-101, nos bastidores, porém, o tema do encontro foi novamente as movimentações políticas do governador.
Hartung, porém, estaria aguardando as definições do cenário político para definir sua acomodação. A ideia é que ele busque um partido que esteja bem colocado no cenário. Embora a história política do governador não guarde relação com a do DEM, o partido pode ser um abrigo em caso de necessidade para Hartung.

