Mais uma vez o secretário-chefe da Casa Civil, Zé Carlinhos da Fonseca, é acionado para tentar apagar o incêndio causado na Assembleia pelas desastrosas declarações da cúpula do governo, no auge da crise, acusando deputados de fazerem “reuniões secretas”, que teriam atrapalhado as negociações entre o Estado e as mulheres dos policiais militares.
À coluna Plenário, do jornal A Tribuna, desta quinta-feira (16), o secretário-chefe diz que é descabida a ideia de que o governo se referia à reunião realizada na terça-feira (7), na Assembleia. “Não faz o menor sentido deputados dizerem que o governador se referiu à Assembleia ao citar reuniões escondida com as mulheres de PMs. Foi um grande equívoco. Temos conhecimento que outras reuniões foram feitas”, disse o secretário-chefe à coluna.
Mas a posição dos deputados não é tão descabida assim, afinal, até o momento da coletiva de imprensa do governo (8/2/17), em que o secretário de Segurança André Garcia e o vice-governador César Colnago, que respondiam naquele momento pelo governo; falaram em “sabotagem de atores políticos” ao processo de negociação. Não precisa dizer mais nada, a única reunião conhecida era a da Assembleia, no dia anterior à coletiva, que reuniu 22 deputados na sala da presidência da Casa, Erick Musso (PMDB). A reunião contou com a presença de uma figura vista com reservas pela Palácio Anchieta, a senadora Rose de Freitas (PMDB).
A cúpula do governo, para evitar a dor de cabeça, deveria ter especificado sobre qual reunião e quais deputados estava se referindo, o que também não resolveria o problema, afinal, os deputados estaduais são livres para conversar com quem quiserem, onde eles quiserem. Aliás, isso faz parte de suas prerrogativas parlamentares.
O que pegou mal para o governo foi o fato de alguns deputados terem usado o microfone da tribuna para cobrar uma retratação do Executivo sobre as declarações feitas na coletiva do dia 8. E explicações sobre o que o governo esperava da Casa no momento da crise, afinal, no dia seguinte ao episódio, quando finalmente o governo abriu diálogo com os manifestantes, nenhum deputado pôde acompanhar o processo de negociação.
Em um momento de crise e com os deputados estaduais cobrando atenção para suas bases, o governo tenta contornar a crise na Assembleia. Tudo que o governo não precisava aconteceu esta semana, com os deputados se revezando na cobrança e fazendo críticas ainda que suaves à atuação do Executivo.

