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Governo passa por inflexão à direita com a posse de Ricardo Ferraço

Vice assume cargo deixado por Casagrande com a missão de se reeleger

Cid Costa/Governo ES

A Assembleia Legislativa empossou, em cerimônia realizada na tarde desta quinta-feira (2), Ricardo Ferraço (MDB) como governador do Espírito Santo. Ele assume o cargo deixado pelo titular, Renato Casagrande (PSB), que renunciou para se candidatar a senador. Ricardo tentará a reeleição no pleito de outubro deste ano.

Esta é a primeira vez em 40 anos que a Assembleia dá posse a dois governadores na mesma legislatura. A última vez foi em 1986, quanto o então governador Gerson Camata (MDB, então PMDB) também deixou o cargo para se candidatar a senador. Na época, o vice-governador era José Moraes, do mesmo partido, que assumiu a titularidade do mandato.

“Estou assumindo o compromisso de continuar uma obra extraordinária do nosso querido governador Renato Casagrande”, afirmou Ricardo Ferraço. O novo governador fez um discurso citando uma crônica de Rubem Braga, famoso escritor de sua cidade natal, Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), e enfatizou a capacidade da atual gestão de “diálogo” com os poderes, municípios, setor produtivo e sociedade civil.

“A política cumpre seu papel mais elevado quando é capaz de reduzir distâncias sem eliminar diferenças, criando condições para decisões compartilhadas e para a estabilidade institucional. É no diálogo, no respeito e na cooperação que construímos um Estado que funciona e entrega resultados à população”, afirmou.

O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União), também exaltou em seu discurso o legado de Renato Casagrande e a posse de dois governadores na mesma legislatura (e o fato de que haverá outra posse em menos de um ano, em 2027), e apontou a necessidade de continuidade na administração. “Enfim chegou o seu dia, Ricardo”, comemorou, criticando ainda “disputas ideológicas vazias”.

Com a chegada de Ricardo Ferraço ao poder, a gestão estadual deverá ter uma inflexão mais à direita, o que pode ajudar a abrir mais pontes de diálogo com políticos de oposição. De qualquer forma, Renato Casagrande nunca fez um governo de esquerda, ao contrário do que dizem seus opositores, e sim uma administração articulada em uma frente ampla de partidos.

Ricardo é filho de Theodorico Ferraço (PP), que está no quinto mandato de prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, e que também cumpriu múltiplos mandatos como deputado estadual (incluindo três de presidente da Assembleia) e deputado federal. Com o sobrenome já conhecido no meio político, elegeu-se vereador de Cachoeiro aos 19 anos, com mandato de 1982 a 1985. Também cumpriu dois mandatos consecutivos de deputado estadual, de 1991 a 1998, e um como deputado federal, de 1999 a 2002. Candidatou-se a senador em 2002, mas ficou em quarto lugar.

No primeiro mandato de governador de Paulo Hartung (atualmente no PSD), de 2003 a 2006, ocupou a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag). De 2007 a 2010, foi vice-governador ao lado dele. Em 2010, era pré-candidato a governador, entretanto, na última hora, Hartung decidiu apoiar o então senador Renato Casagrande (PSB) para a disputa pelo Governo do Estado, no episódio que ficou conhecido como “Abril Sangrento”. Restou a Ricardo ser candidato a senador (não que fosse pouca coisa), obtendo o recorde de 1,5 milhão de votos.

Na eleição de 2018, teve uma derrota significativa ao não conseguir se reeleger para o Senado Federal. Acabou sendo resgatado para o centro da arena política do Estado justamente por Renato Casagrande, tornando-se vice-governador de novo no mandato atual.

Partidos e pautas

Ao longo de sua trajetória, Ricardo Ferraço foi filiado ao extinto Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e ao Partido Popular Socialista (PPS), em períodos mais curtos; e ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB), oscilando entre esses dois últimos na maior parte da carreira.

No Senado Federal, foi presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, e utilizou sua posição para angariar apoio a opositores de governos de esquerda na América Latina. Em 2013, junto com o diplomata brasileiro Eduardo Saboia, atuou diretamente no resgate do senador boliviano Roger Pinto Molina, opositor do governo do então presidente Evo Morales, e que deixou a Bolívia mesmo sem autorização.

Em 2016, migrou do MDB para o PSDB por causa do apoio da sigla à então presidente Dilma Rousseff (PT), e também votou a favor do impeachment naquele mesmo ano, tendo sido inclusive membro da Comissão Especial sobre a deposição da mandatária no Senado Federal. Ainda em 2016, já sob a Presidência de Michel Temer, votou a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Teto de Gastos Públicos. Em 2017, foi o relator da Reforma Trabalhista no Senado Federal.

Recentemente, já como presidente do MDB, assinou uma carta com os demais presidentes de diretórios estaduais da sigla contrária a uma aliança com o presidente Lula e o PT, e pedindo “liberdade” para os dirigentes regionais se posicionarem como bem entenderem em relação à disputa presidencial.

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