Há uma semana, em assembleia geral unificada, os servidores públicos estaduais decidiram pela paralisação de 24 horas no próximo dia 13 de agosto, uma quinta-feira. Na mesma assembleia, também foi deliberada a greve geral para 24 de agosto, caso o governo não abra uma negociação efetiva com o funcionalismo.
Apesar da iminente greve, em vez de buscar o diálogo com as entidades sindicais, o governo estadual preferiu adotar outra estratégia. Enviou uma carta (veja íntegra abaixo) para cada um dos mais de 63 mil servidores explicando os motivos que impedem o governo de conceder qualquer reposição, neste momento, à categoria.
O governador Paulo Hartung (PMDB) adverte na carta que o momento é de buscar o equilíbrio financeiro das contas do Estado, mantendo os recursos para o pagamento da folha do funcionalismo em dia.
Os servidores interpretaram o recado do governador como uma ameaça. Nas entrelinhas, o governador estaria avisando que manutenção dos empregos e pagamento dos salários em dia deve ser considerada um privilégio neste momento de crise.
O Fórum das Entidades dos Servidores Públicos do Espírito Santo (Fespes), que congrega 19 sindicatos e associações, recebeu mal a carta em tom de ameaça do governo. Nessa quinta-feira (30), a Fespes divulgou nota de repúdio criticando o tom da carta. “Não aceitamos recados, queremos negociar”.
Os sindicalistas classificaram a carta como “desrespeitosa e intimidadora”. Eles alegam que o governador Paulo Hartung, em vez de buscar a negociação com o Fespes, prefere enviar “um bilhetinho por correspondência às residências dos trabalhadores. Um tiro no próprio pé”.
O recado de Hartung chega aos servidores no mesmo dia em que é divulgado o balanço semestral do Estado, que registrou superávit de R$ 479,5 milhões, apesar do propalado discurso do caos, que inclusive aparece na carta. “A situação financeiro do Governo do Estado não é boa”, alerta a carta.
O Fespes, porém, rebate o discurso de que o caixa está vazio e insiste que o governo fala em manter o diálogo, mas na verdade não quer negociar. “Que diálogo? É preciso destacar que até o momento o governo permanece no seu monólogo num disco arranhado. Os três encontros com os representantes do fórum foram apenas ‘aulas’ expositivas com dados financeiros, da contabilidade criativa”.
Na parte “otimista” da carta, para não dizer só não às demandas da categoria, o governo dá a entender que após fazer os ajustes necessários irá promover a valorização do servidor. A promessa também não agradou os servidores. “Esperamos que essa valorização já esteja em nosso próximo contracheque, que é a recomposição salarial conforme índice inflacionário. Essa seria a principal valorização”.
No final da nota, o Fespes pede que os servidores encaminhem aos seus sindicatos respostas à carta “malcriada” do governador, que serão devidamente enviadas ao Palácio Anchieta.
Veja abaixo a íntegra da carta