“É o mesmo que usar um canhão para matar um mosquito”. Assim definiu a desproporcionalidade da ação palaciana para evitar que novos blocos independentes possam vir a se formar na Assembleia. O deputado que liderou no início do mês um requerimento de formação de um grupo apartidário independente, que ganhou a adesão de 11 deputados, entendeu que a ação do governo enfraquece o Legislativo.
Sérgio Majeski (PSDB) foi outro deputado que não assinou a emenda que põe fim definitivo a novos blocos, mesmo com a insistência do vice-líder do governo Erick Musso (PP). O deputado afirma que a interferência do Executivo nas articulações do Legislativo é muito ruim. “Eu lamento muito que meus pares tenham assinado isso”, disse o deputado.
A emenda de Musso revoga duas brechas abertas em dezembro passado no regimento. Uma delas permitia que um deputado pudesse deixar um bloco e se unir a outro na Casa. A outra proposta, de autoria de Enivaldo dos Anjos, permitia que um deputado ingressasse de forma avulsa e apartidária, em um bloco independente. As propostas foram aceitas por unanimidade do plenário à época e a PEC de Erick Musso, que revogava as duas, foi assinada por 25 deputados na sessão dessa quarta-feira (24) da Assembleia. Negaram-se a assinar a emenda governista três deputados: Enivaldo, Majeski e o presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM).
Tanto Enivaldo quanto Majeski acreditam que a postura do plenário prejudica a imagem da Assembleia como um todo. “É muito ruim que o Executivo interfira no Regimento da Casa, isso apequena um poder que já é tão bombardeado. O governo já havia acabado com o bloco, mas impedir a possibilidade de haver um outro bloco no futuro é ridículo”, disse Majeski.
Enivaldo destaca que o governo não precisava agir desta forma porque não havia uma ação oposicionista em curso, como fez parecer. “O bloco tinha a participação de oito partidos e todos são da base do governo. A articulação era mais para organização interna, não era para pressionar o governo”, disse Enivaldo dos Anjos.
A ação do governo estaria visando a uma demonstração de força, voltada para o enfrentamento ao presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), que vem mostrando animosidade com o governador. Ferraço, na ocasião do desmonte do bloco, afirmou que sua assinatura havia sido feita com caneta nankin e que não a retiraria do requerimento. Disse também que um novo bloco poderia surgir no futuro.
Com essa ação, o governo mina qualquer chance de que as articulações possam ser retomadas na Assembleia, pelo menos nesses termos.

