Desde o fim da apuração dos votos da eleição de 2014, a classe política vem observando no Espírito Santo um ensaio de revanche entre o governador Paulo Hartung (PMDB) e o ex-governador Renato Casagrande (PSB), que estaria marcado para a disputa eleitoral de 2018. Mas esse enfrentamento depende de muita coisa para acontecer.
As “prévias” seriam na eleição deste ano, com os dois tentando ganhar o maior número de espaço possível nas disputas municipais. Casagrande está em campo fazendo corpo a corpo, mas teve seu espaço fechado em muitos palanques. Muitos candidatos ficaram temerosos de se aliar ao socialista e, em caso de vitória, terem problemas institucionais com o Palácio Anchieta.
Hartung estaria vendo mais do que um adversário no horizonte e tenta também desidratar o deputado federal Max Filho (PSDB), candidato a prefeito de Vila Velha. Hartung estaria também no jogo político que tirou na disputa o ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas.
Paralelamente, uma movimentação tenta tornar Renato Casagrande inelegível por meio da rejeição das contas de 2014 do ex-governador na Assembleia Legislativa, mas ainda faltam argumentos solídos para a manobra vingar. A estratégia de construir esses argumentos com a CPI dos Empenhos, falhou.
Tudo isso acontece sem que se saiba exatamente o que pretende o governador em 2018 e as possibilidades são muitas. Ele pode disputar a reeleição ou ser um dos nomes ao Senado. E há até quem acredite em sua movimentação nacional, mirando a vice-Presidência da República. Quando se elegeu governador, garantiu que deixaria o cargo em 2018 para dar a chance de eleição ao vice, Cesar Colnago (PSDB) como seu sucessor.
Mas ele também disse isso em 2010, quando assinalava que o então vice, Ricardo Ferraço, seria o sucessor e que ele disputaria o Senado. Quando não se desincompatibilizou do cargo deu o primeiro tranco em Ricardo, tranco que foi finalizado com a troca de candidato à sucessão, por Renato Casagrande.
Por isso, fazer apostas no embate entre Renato Casagrande e Paulo Hartung faltando ainda dois anos para a disputa, pode ser muito arriscado. Até porque não se sabe se Casagrande toparia esse novo confronto. Mas isso é outra história.

