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Grupo de deputados quer mudar relação com o Executivo no novo governo

Não surpreendeu o mercado político o discurso do presidente da Assembleia sobre a manobra que abriu brecha para a sua recondução ao comando da Casa. Theodorico Ferraço (DEM) diz que não encubou, mas endossou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permite à reeleição dos membros da Mesa Diretora. Ao negar a autoria da proposta, Ferraço deixa pairar no ar a ideia de que não poderá mais ser ignorado pelo governador eleito Paulo Hartung (PMDB). 
 
O que vem repercutindo entre as lideranças políticas é a coragem do grupo de deputados estaduais que assina e banca a movimentação na Casa. No grupo, além dos deputados que não foram reeleitos, há parlamentares que estarão na Casa no próximo ano: Gilsinho Lopes (PR), Euclério Sampaio e Josias da Vitória, do PDT; além de Marcelo Santos (PMDB) e Sandro Locutor (PPS). 
 
A movimentação desses parlamentares sinaliza que uma mudança na relação com o Executivo. Isso porque na Era Hartung, a Assembleia tinha um papel meramente legitimador das ações do Executivo. A relação era vertical, de cima para baixo, com os parlamentares se submetendo às decisões do governador. 
 
A posição de Gilsinho Lopes já era esperada, porque o deputado já vinha denunciando irregularidades no governo Paulo Hartung e se mantinha independente no plenário também ao governo Renato Casagrande (PSB). Euclério Sampaio também atua esporadicamente contrário a Hartung, mas sua postura é inconstante e imprevisível. É difícil afirmar se ele será oposição ou não. 
 
O posicionamento de Josias da Vitória, porém, desperta uma análise mais atenta. O deputado teve uma postura alinhada com Hartung no segundo mandato do peemedebista, quando o deputado chegou à Assembleia. Também foi governista no governo Casagrande, mas desde o processo eleitoral tem se mantido alinhado com o socialista, mesmo com a ida de Sérgio Vidigal, principal estrela do PDT no Estado para o palanque de Hartung. O deputado não parece vulnerável a mudar de posição a partir da posse de Hartung. 
 
Outro fator que também vem chamando a atenção da classe política no processo é o silêncio de Hartung nessa discussão da PEC da reeleição. Embora o governador não tenha o costume de se posicionar claramente sobre as polêmicas envolvendo a classe política — geralmente delega a defesa de seu posicionamento a seus interlocutores —, a manobra na Assembleia vem seguindo seu rumo sem que ele se envolva na discussão. 
 
Para algumas lideranças, a tendência é de que Hartung interfira no processo, esvaziando as assinaturas do requerimento para a PEC. Mas até o momento o movimento não começou. Nos bastidores, a avaliação é de que a reeleição de Ferraço para a presidência da Assembleia não é uma hipótese considerada pelo governador eleito. 
 
O temperamento intempestivo de Ferraço poderia trazer insegurança ao Executivo em sua relação com o Legislativo, já que o demista tem condições políticas de representar o conjunto dos deputados de forma igualitária na interlocução com o Executivo, uma situação ainda não experimentada pelo peemedebista, que em seus dois mandatos contou com uma Assembleia dócil às suas necessidades políticas. 
 

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