Quinta, 20 Janeiro 2022

​Guerra a governadores amplia a propagação da Covid-19

jair_bolsonaro_marcello_casal_jr_agencia_brasil- Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

A menos de duas semanas de sua visita ao Espírito Santo, prevista para 11 de junho e ainda sem uma programação que a justifique, o presidente Jair Bolsonaro reforça o arsenal de guerra aos governadores e gera facilitação para a propagação do coronavírus, que neste final de semana se aproxima de meio milhão de mortes no Brasil. Com o discurso de que é preciso movimentar a economia, o governo federal ergue barreiras às reais causas da crise que provocam fome a mais de 14 milhões de brasileiros e desemprego, sem contar a perda de direitos e conquistas da classe trabalhadora.

Em suas investidas para tentar conter a queda na popularidade, que já sinaliza uma derrota eleitoral em 2022, o presidente promove aglomerações, sem uso de máscara, ao mesmo tempo em que observa a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 revelar comprovações do descaso do governo federal no combate à enfermidade, inclusive a sabotagem à compra de vacinas e o uso da cloroquina no tratamento precoce.

Essa constatação foi feita nesta semana pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), revelando que no primeiro trimestre de 2020 e de 2021, os desligamentos de postos de trabalho por morte cresceram 71%. Na área de atenção à saúde essas baixas triplicaram e, na educação, subiram 106,7%. Os dados refletem a realidade do trabalhador brasileiro no período da pandemia. O tema foi debatido nessa sexta-feira (28) em audiência pública virtual da Comissão de Cidadania da Assembleia Legislativa

Os movimentos  do presidente tornam o fosso de sua rejeição ainda mais fundo, como é mostrado em pesquisas e escancarado nas manifestações deste sábado (29) em várias cidade do país, inclusive Vitória. Nesse cenário Bolsonaro ingressou nessa sexta-feira (28) no Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Advocacia-Geral da União, com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra decretos dos governadores que impõem toque de recolher e a restrição de atividades comerciais em alguns municípios. Bolsonaro pede que os decretos tenham sua eficácia suspensa por medida liminar do relator, ministro Luís Roberto Barroso.

A justificativa de reaquecer a economia não se sustenta, considerando que a desaceleração do setor vem antes da pandemia, como consequência direta de uma gestão ineficiente e ineficaz, cujos impactos na sociedade são devastadores. A repetição de frase de efeito - "quebrar a economia para atingir o governo" -, que seria o objetivo dos governadores, já não surte o desejo de bolsonaristas, como o deputado Torino Marques (PDSL), um dos mais aguerridos defensores do presidente na Assembleia, integrante de movimentos de reforço à reeleição, que passa, com força, nas pré-candidaturas nos estados.

Fazem parte desse bloco a deputada federal federal Soraya Manato (PSL) e seu marido, o ex-deputado Carlos Manato (sem partido), os também deputados Evair de Melo (PP), Da Vitória (Cidadania) e Neucimar Fraga (PSD), todos integrantes da comissão que coordena a primeira visita presidencial ao Estado, apesar de Bolsonaro ter alcançado nas eleições de 2018 mais de 63% dos votos dos capixabas.

Por fora, mas igualmente atuante, o ex-senador Magno Malta (PL), em busca da reabilitação eleitoral, considerada complicada por suas características oportunistas, colocando-se ao lado de quem está no poder. Assim foi com todos os ex-presidentes, desde Lula até o atual, passando por Dilma Rousseff e Michel Temer. Um grupo reduzido, que exclui outros aliados do presidente da bancada capixaba na Câmara, como Amaro Neto (Republicanos).

Na realidade, cada um busca o que diz o ditado popular de "farinha pouca, meu pirão primeiro", na tentativa de reeleição à Câmara Federal, ao Senado ou ao governo estadual, posição na qual se empenham para garantir o lugar de adversário de Renato Casagrande (PSB) Manato e Evair de Melo. Da Vitória entra na raia do Senado - ou da reeleição – e se esforça como pode: não conseguiu muita coisa. Até agora, trouxe ao Espírito Santo o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que numa visita relâmpago, neste mês, nenhum dividendo gerou ao Estado.

Resultada que deve ser idêntico à visita do presidente da República, em 11 de junho. Sem obra em andamento no Estado, como em grande parte do país, Bolsonaro deve inaugurar um conjunto de casas no norte do Estado do programa Minha Casa, Minha Vida, sobrevoar a Grande Vitória, e participar de um ato na Praça do Papa, promovendo mais uma aglomeração.

Além da carreata que o espera, o presidente será recepcionado, também, por sete outdoors colocados em avenidas de Vitória com a frase "Fora Bolsonaro", ampliando o eco de protesto que se espalha no país contra o desemprego e a perda de direitos e conquistas, como disse uma eleitora capixaba, perplexa com a situação do país : "Ninguém aguenta mais, o povo está morrendo de fome".

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