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Hartung abre a mão para prefeitos, mas reforça discurso do caos

Em entrevista ao jornal A Tribuna desta terça-feira (6), o governador Paulo Hartung (PMDB) aproveita duas situações para reforçar o discurso de crise que vem utilizando deste a campanha eleitoral, e que serve de subterfúgio para blindar sua vitrine e desconstruir o governo do antecessor, Renato Casagrande (PSB). 
 
A liberação de R$ 86 milhões relativos ao acordo de pagamento de ICMS com as empresas de petróleo e gás, que será repassado aos municípios e o pedido de suplementação orçamentária de R$ 50 mihões do Tribunal de Justiça (TJES) ajudam a cimentar o discurso de que graças à capacidade de gestão do governo, o Estado vem “sobrevivendo” à crise. 
 
No caso do repasse aos prefeitos, o valor que poderia ser bem mais auto se o governo cobrasse a integralidade do que é devido ou deixasse de atender às empresas com renúncias fiscais, não deve ser visto como um ato de benevolência do governo. 
 
Afinal, os prefeitos têm direito aos 25% do ICMS. Mesmo assim, a liberação do recurso serve para lustrar a imagem de Hartung do bom gestor, aquele que estende o braço nesta hora difícil, mas exige que os prefeitos rezem pela sua cartilha, usando os recursos com responsabilidade, parcimônia.
 
Quanto à suplementação do TJES, o governador não disse nem que sim, nem que não. Embora a reportagem de A Tribuna tenha insistido na pergunta, o governador se manteve em cima do muro. É que a decisão para conceder deve vir via justiça, assim ele poderá pagar,  como obrigação e não porque quis atender a uma demanda do Judiciário, despropositada para o momento do “cobertor curtíssimo”. Não se indispondo assim, com a opinião pública e preservando a imagem de justo e austero que tenta construir. 
 
Mesmo tendo o recurso em caixa para fazer os investimentos que os prefeitos e os demais poderes cobram, Hartung potencializa o discurso da crise, porque primeiro ela se encaixa no cenário nacional, ganhando respaldo. 
 
Com essa potencialização e a freada nos gastos do governo, os demais setores se retraem fazendo com que a população entenda que há mesmo uma situação crítica. Enquanto isso, o governo acumula caixa para apresentar contas saneadas e superávit no fim do ano, consolidando o discurso de que, graças à sua capacidade de gestão, o Estado superou a grave crise.

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