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Hartung afirma que, apesar da crise, conseguiu ‘tirar leite de pedra’

Em coletiva na manhã desta terça-feira (29), Paulo Hartung (PMDB) fez um balanço de seu primeiro ano de governo. O discurso de 1h29 reeditou frases feitas que o governador vem repetindo desde o início do ano. Ele fez ataques ao antecessor Renato Casagrande (PSB), ressaltou que se não tivesse ajustado o orçamento à “realidade” o Estado teria quebrado e ainda exaltou a eficiência de sua gestão. “Mesmo com a crise conseguimos colocar de pé um conjunto de projetos inovadores”.
Após repetir várias vezes que as contas do Estado só estão sob controle graças aos esforços dele e de sua equipe, o governador fez questão de mostrar que 2015 não foi um ano só de ajustes. Hartung procurou enaltecer que, mesmo na adversidade, fez entregas à população. Essas entregas, porém, nada mais são do que projetos para o próximo ano. De concreto mesmo, o governo não entregou nada.
A coletiva começou com o governador apresentando um balanço do ano, pautado em três eixos: a crise nacional, o ajuste fiscal no Estado e o que seria a produção de ações de políticas públicas. Ele afirmou que 2015 foi um ano desafiador, com elementos próprios, mas com problemas antigos. 
Sobre a crise econômica, o governador afirmou que não há nada de novo e que a instabilidade vem se agravando desde 2011, resultado de uma política econômica equivocada do governo federal. 
Sempre que teve oportunidade, o governador disparou contra seu antecessor, novamente retomando o discurso da desorganização das contas pública. “Enquanto as despesas subiam pelo elevador, a receitas subiam pela escada”, disse o governador em tom irônico, acrescentando que a gestão de Casagrande foi “irresponsável”.
Hartung também repetiu o discurso sobre a necessidade dos cortes no início do governo e sobre a ajuda da Assembleia Legislativa para promover cortes no Orçamento deixado por Renato Casagrande, que Hartung continua chamando de “peça de ficção”. 
Na terceira parte de sua exposição, o governador tentou mostrar que apesar do ano difícil, quando o normal seria fazer somente o ajuste, conseguiu ir além, avançando em diversas áreas. Destacou ações como o Escola Viva e o Ocupação Social. A lista de Hartung, porém, não apresentou nada de concreto. Ele citou uma série de promessas de entregas para o próximo ano; projetos que haviam sido paralisados no final do ano passado e que, segundo ele, devem ser retomados em 2016, além de listar obras que serão retomadas com o recurso do governo federal. 
Escola Viva
O destaque da coletiva foi a tentativa de Hartung em vender o programa Escola Viva como a grande conquista desse primeiro ano de governo. Acabou deixando escapar que a única unidade em funcionamento até agora, em São Pedro, Vitória, funcionando em um prédio alugado da antiga Faesa, foi para “mostrar” aos pais e alunos como era o programa. Ele afirmou que sem o modelo aplicado na prática, não teria como fazer o debate, mostrando as vantagens do programa. 
Sobre a situação precária em que se encontram as demais escolas de responsabilidade do Estado, Hartung afirmou que é preciso dar um passo de cada vez e que, sim, “vai demorar muito” para que o Estado tenha uma rede de ensino com a qualidade que o governador afirma ter o programa Escola Viva. 
Política 
Do ponto de vista político, o governador foi escorregadio na coletiva, como é seu perfil. Sobre o processo de impeachment, Hartung afirmou que a forma como vem sendo discutido, levado ao Congresso pelas mãos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tirou a legitimidade do processo. Mas espera que no retorno do recesso a discussão possa ter uma definição para que a política econômica avance. 
Hartung afirmou que não vai ingerir no processo eleitoral do próximo ano no Estado. Disse que vai continuar concentrado na gestão e que o processo será impactado pelas questões nacionais e as reformas eleitorais. O discurso, porém, não convence o mercado político que vem observando as movimentações de coxia do governador em vários municípios, influindo no palanque dos aliados e mexendo as peças para desidratar o campo dos adversários. 
Da mesma forma não convenceu a afirmação de que a escolha do deputado estadual Guerino Zanon (PMDB) para a Secretaria e Esportes tenha sido uma avaliação pautada no perfil técnico do deputado. Apesar de o peemedebista ter passado pela mesma pasta no primeiro mandato de Hartung, para os meios políticos, a mexida no plenário serve para acomodar José Esmeraldo, evitando assim uma composição de seu grupo com o prefeito Luciano Rezende (PPS), em Vitória. 

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