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Hartung anuncia superávit, mas projeta 2017 com otimismo moderado

O governador Paulo Hartung (PMDB) reuniu a imprensa na manhã desta terça-feira (27) para apresentar o balanço do ano. O evento, porém, pareceu mais uma palestra do que coletiva. Em tom didático, o governador anunciou que 2016 terminará com um superávit de R$ 40 milhões, pequeno, ele reconhece, mas “um gol de placa”, se comparado à situação do restante do País.

Isso não significa que Hartung vai abrir os cofres no próximo ano. O peemedebista afirmou que 2017 será mais um ano de dificuldade e que pretende manter os ajustes fiscais que adotou desde que assumiu o governo em janeiro de 2015.

O governador voltou a disparar indiretamente contra o antecessor, Renato Casagrande (PSB), ao dizer que o Estado conseguiu se afastar do abismo, para o qual estava caminhando a partir de 2010, quando deixou o governo. Mas que é preciso cautela. “Não dá para dançar samba de roda à beira do abismo”, disse.

O governador destacou em vários momentos da entrevista que sua gestão tem sido reconhecida nacionalmente, reforçando a imagem excelência que vem conseguindo emplacar na mídia nacional, diante de um cenário de crise que afeta estados vizinhos e o governo federal. Isto o tem ajudado a se inserir no debate nacional.

Hartung também afirmou na entrevista que mesmo com os cortes tem feito investimentos, mas na verdade destacou apenas algumas obras pontuais de construção ou recuperação de estradas no interior. O governador também não deixou de fora de seu discurso a menina dos olhos de seu governo, com o programa Escola Viva, que pretende ampliar para o sul do Estado no próximo ano.

Ainda no sentido de reforçar sua imagem de grande gestor, o governador citou alguns indicadores sociais, que também são questionados pelas organizações ligadas às áreas de educação e direitos humanos, como a nota do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) e a redução do índice de homicídios.

Futuro político  

Sobre as movimentações políticas, Hartung foi, como sempre, escorregadio. Ao ser questionado sobre a crítica do presidente da Assembleia, Thedorico Ferraço (DEM), no almoço entre os deputados, e o governador, na semana passada, o peemedebista disse não ter visto o comentário como crítica.

Ferraço afirmou no encontro, que a “Assembleia tem dito sempre sim e o governo sempre diz não”. Segundo o governador, o que foi dito no encontro não foi o que saiu na imprensa. Ele tentou amenizar as palavras de Ferraço, dizendo que o presidente do Legislativo quis dizer que o governo não vem conseguindo dar nada por causa da crise econômica.

Mas as justificativas de Hartung não convencem o mercado político. Já que a insatisfação no plenário é grande por causa da redução das emendas parlamentares, e em alguns casos o não atendimento de nenhuma delas. Outro ponto que não convenceu foi a falta de Hartung de que não estaria conversando com nenhum deputado sobre a eleição da Mesa Diretora e que os deputados só vão discutir isso em fevereiro. As movimentações na Casa estão intensas e as impressões do governador são um norteador do plenário, sempre.

Sobre seu próprio futuro, Hartung relembrou sua  afirmação em 2014 de que não disputará a reeleição ao governo do Estado em 2018, mas destacou que essa decisão não depende apenas dele e sim do desejo da sociedade. Disse estar entusiasmado com o debate nacional desta vez, e que seus planos, “se tudo correr bem”, são de se desincompatibilizar do cargo em abril de 2018.

Afirmou que não fez isso em 2010, porque naquele momento o debate estava impedido por uma política de “me engana que eu gosto”, em que a classe política, segundo ele, fingia não ver os problemas pelos quais o País passaria. Com o discurso da crise, Hartung tem um caminho livre para defender suas ideias, que pregam o incentivo a grandes projetos internacionais, diminuição dos gastos e a parceria privada para os serviços que são obrigações do governo.

Também não falou sobre a possibilidade de mudança de partido. O governador criticou a estrutura partidária brasileira e defendeu reformas políticas e eleitorais, como o fim das coligações partidárias nas proporcionais, e a definição mais clara sobre o financiamento de campanha.

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