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Hartung confirma afinação com discurso de Temer

Depois de um longo silêncio sobre seu almoço com o vice-presidente Michel Temer, o governador Paulo Hartung (PMDB) mostrou seu alinhamento com a manobra peemedebista. Hartung, que em outubro se dizia contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, agora defende o “rito constitucional” para dizer que o processo não é um “golpe”. 
 
Na verdade, o governador tentou sair pela tangente na discussão, afinal, a afirmação de golpe não se trata do trâmite em que se deu o processo, e sim o contexto no qual ele foi inserido. Mas sua manifestação transparece o conteúdo da conversa com Temer há dez dias, seguindo a mesma linha de outro governador visitado pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo. 
 
Em outubro passado, em entrevista à Rádio CBN Vitória, o governador classificou a possibilidade de impeachment como “um atalho que fere a democracia”. Hartung entendia, naquele momento, que esse processo levaria o País a uma instabilidade política que não interessaria a ninguém. 
 
Desta vez, Hartung defende o rito e deixa transparecer que o processo é válido. “A acusação foi feita por alguns juristas renomados, como Miguel Reale e Hélio Bicudo”, disse. Para Hartung, o fato de seguir o rito constitucional dá legitimidade ao processo, mas sobre a manobra de Temer, o governador preferiu manter o sigilo, dizendo que seria uma “indelicadeza” revelar o conteúdo do encontro. 
 
Para os meios políticos, a mudança de postura de Hartung é sintomática, mas não se relaciona com assuntos partidários. O caminho da manobra do PMDB pareceu um caminho seguro, diante do desgaste do PT com a proposição do impeachment. Quando o assunto não era concreto, Hartung tentou manter a relação com o governo federal, mas com a aceitação do pedido de impeachment, a situação mudou. 
 
A declaração do governador foi feita na noite dessa segunda-feira (14), em um encontro empresarial na Rede Gazeta. Por isso, para as lideranças do Estado, o discurso poderia ser diferente se o pronunciamento fosse nesta terça, devido à operação da Polícia Federal que atingiu em cheio a cúpula peemedebista nacional. 

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