O governador Paulo Hartung (PMDB) deu a sua assessoria a missão de conquistar bons espaços na imprensa nacional. Ele queria expor suas posições antes da reunião dos governadores com a presidente Dilma, ocorrida nessa quinta-feira (30). Conseguiu defender suas ideias sobre os problemas políticos e econômicos do País em dois importantes jornais: O Globo e Valor.
Nesta sexta (31), Hartung voltou a ganhar destaque na imprensa nacional para amarrar suas considerações sobre a reunião com a presidente. Foi entrevistado pelo jornalista Milton Jung (CBN Brasil).
Na entrevista, Hartung faz questão de esclarecer que não está assumindo nenhum compromisso político com Dilma ou PT. Quando perguntado se os governadores aceitaram firmar um pacto com a presidente, Hartung respondeu na lata que “não há clima para pacto”. Preferiu definir como “convergência”, a abertura de um canal de interlocução circunstancial com o governo federal.
Num discurso “gangorra”, Hartung apontava um acerto da presidente e em seguida um erro. Disse, por exemplo, que reunir os governadores é sempre uma iniciativa bem-vinda, mas criticou que houve demora por parte da presidente em provocar a reunião. “Poderia ter acontecido muito antes”, alfinetou.
Hartung também se queixou que faltou foco na condução da pauta do encontro. Na opinião do governador capixaba, Dilma deveria ter aprofundado a discussão com os governadores sobre a crise econômica.
Apesar de a reunião ter sido abaixo das suas expectativas, Hartung alertou que é preciso deixar as questões políticas de lado e se concentrar no que é melhor para o País. O governador afirmou que o rebaixamento da nota do Brasil no mercado financeiro internacional preocupa. “A equação perde-perde não interessa a ninguém”.
Milton Jung perguntou se os governadores estavam prontos para integrar o “esquadrão antibomba” de Dilma na retomada das atividades do Congresso. Hartung admitiu que algumas das “pautas-bomba” podem agravar ainda mais a situação econômica do País. Ele citou como exemplo as mudanças no Fator Previdenciário, que também trariam impactos para os estados.
Novamente, Hartung disse que evitar que essas propostas avancem não tem relação com uma posição partidária em favor de Dilma, mas de compromisso com o futuro do País. O governador disse que esses pontos devem ser trabalhados dentro do que ele chama de “convergência”.
Ainda na entrevista, Hartung procurou esclarecer que essa convergência faz parte do jogo democrático. Ele fez questão de registrar que fez campanha para o presidenciável tucano Aécio Neves no Espírito Santo em 2014, para mostrar qual é sua posição política.
Aliás, Hartung deixou isso muito claro antes da reunião para que não pairasse nenhuma dúvida sobre a distância sobre sua posição. Ele quer se aproximar do cofre da União, mas ficar longe da presidente.
Hartung foi o único peemedebista com cadeira cativa na reunião de governadores tucanos momentos antes do encontro com Dilma. Para não deixar dúvidas de que DNA tucano fala mais alto, Hartung se sentou com os governadores do PSDB Geraldo Alckmin (São Paulo), Beto Richa (Paraná), Marconi Perillo (Goiás), Simão Jatene (Pará) e a vice-governadora do Mato Grosso do Sul, Rose Modesto, que representou Reinaldo Azambuja, para alinhar as posições que defenderiam momentos depois perante a presidente.