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Hartung diz que greve da PM tem ‘mão peluda da política’

Em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira (13), o governador Paulo Hartung (PMDB), mais uma vez, tenta politizar o movimento reivindicatório da Polícia Militar do Estado. Para ele, o episódio, que causou mortes e deixou a população capixaba refém da violência por mais de uma semana no Espírito Santo  tem a “mão peluda da política para desestabilizar um Estado que só vinha com notícia boa”.

Ele acredita que sua política de austeridade tem causado uma reação e cita as redes sociais como um vetor da onda de ataques para prejudicar seu governo. Na entrevista, concedida na última sexta-feira (10), Hartung defende sua política de austeridade e critica a renegociação da dívida dos Estados, citando Caetano Velozo.

Ao ser perguntado se sente-se injustiçado com o apoio do governo federal ao Rio de Janeiro, o governador afirma:  ???Vou citar Caetano Veloso, o avesso do avesso do avesso. Devíamos estar valorizando quem faz o dever de casa. E não ficar socorrendo às pressas quem está fazendo coisa errada em detrimento do resto do país. Por que o país está ferrado? Porque meteu o pé na jaca nos gastos públicos. E aí vamos passar a mão na cabeça de quem faz as coisas erradas e ter um certo olhar de descaso para quem está fazendo as coisas certas????, disse.

Com um discurso ainda voltado para a política nacional, Hartung não admite que seu ajuste fiscal prejudicou o funcionamento do Estado, provocando um “congelamento” das categorias do funcionalismo público. E ainda deixou transparecer sua desaprovação com o movimento embrionário da Polícia Civil, que pode também cruzar os braços em cerca de 15 dias.

Questionado sobre o número de mortes no Estado, o governador alerta a reportagem para não confiar nos dados da Civil. ???Não acho que sindicato que está lutando e pedindo aumento é uma boa fonte para este momento???, afirmou.

Desde 2015, Hartung realiza cortes lineares nas despesas, mas, por razões paroquiais, conserva intocadas bilionarias renúncias fiscais e os inflados orçamentos do Judiciário, do Legislativo e do Ministério Público estadual.

Sitiado, abstraiu os mortos e o abandono dos sobreviventes pelo governo. E reagiu com anúncio de um plano que não existia, a “reestruturação” da PM. Hartung acabo protagonista do primeiro “panelaço” contra um governante estadual da história recente, no momento em que o canal Globo News transmitia a entrevista de Hartung a jornalista Miriam Leitão.

Não Convenceu

O governador Paulo Hartung tem feito um esforço grande para tentar recuperar a imagem nacional nesses dois primeiros anos de governo. Mas não tem conseguido convencer toda a imprensa. O governador foi criticado em duas colunas de repercussão do jornal O Globo nesse domingo (12).

O colunista do jornal carioca, José Casado, destacou a disparidade nos ajustes fiscais do governador. ???Desde 2015, Hartung realiza cortes lineares nas despesas, mas, por razões paroquiais, conserva intocadas bilionárias renúncias fiscais e os inflados orçamentos do Judiciário, do Legislativo e do Ministério Público Estadual???, disse.

Ele também criticou a postura do governador diante da crise e o desgaste político. ???Sitiado, abstraiu os mortos e o abandono dos sobreviventes pelo governo e reagiu com anúncio de um plano que não existia, a ???reestruturação??? da PM. Hartung acaba protagonista do primeiro panelaço contra um governante estadual da história recente???, afirmou Casado.

Na mesma edição de O Globo, o colunista Elio Gaspari foi irônico ao destacar a entrevista do governador Paulo Hartung à jornalista Míriam Leitão. Em um artigo intitulado ???Paulo Hartung deu uma aula de economia???, o colunista destaca a frase do governador na entrevista sobre uma possível reestruturação da PM: ???Se depender de mim, não ficará pedra sobre pedra???.

O colunista lembrou outras lideranças políticas que utilizaram esse discurso. ???Em 2005 Lula disse que apuraria as denúncias do mensalão, pois ???não ficará pedra sobre pedra???. Em 2014 a então presidente da Petrobras Graça Foster anunciou que partiria para cima dos larápios: ???Não fica pedra sobre pedra, não fica. Mas não fica, não fica???.

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