Nesta terça-feira (14), os governadores do Sudeste, que no último 30 de junho se reuniram no Rio de Janeiro para redigir uma carta com sugestões à presidente da República para o enfrentamento da crise econômica nacional, se encontram com Dilma Rousseff, em Brasília. Além do governador Paulo Hartung (PMDB), fazem parte da comitiva Luiz Fernando Pezão, do Rio de Janeiro; Geraldo Alckmin, de São Paulo e Fernando Pimentel, de Minas Gerais.
Além da pauta econômica, que entre outras propostas apresenta alternativas para redução da queda de desemprego no País, os reflexos políticos do encontro chamam a atenção no Espírito Santo. Será a primeira vez que o governador capixaba, que apoiou a campanha do tucano Aécio Neves à Presidência da República nas eleições de 2014, estará frente a frente com Dilma.
Em eleições anteriores, Hartung também não teve a postura esperada pelo PT nacional no Espírito Santo. Como o partido tem dificuldades de captação de votos no Estado, contava com o governador para ser indutor de votos, o que não aconteceu no segundo turno da eleição de 2002, e na reeleição de 2006 de Lula. Assim como na eleição de Dilma em 2010 e, sobretudo, na eleição do ano passado, quando Hartung, apostando na vitória de Aécio, assumiu o palanque do tucano no Estado.
Embora não haja um viés político no encontro, ele servirá para uma movimentação que Hartung tenta emplacar de aproximação com o governo federal, após a eleição. Com a economia internacional em crise e cortes em repasses federais, o governador precisa de uma interlocução com o Palácio do Planalto para a captação de recursos federais.
Além da dificuldade de trânsito de Hartung em Brasília, os índices do Estado contrapõem o discurso da classe política da necessidade de atenção do governo central com o Espírito Santo. Para os meios políticos, Hartung pode pegar carona com os outros governadores do Sudeste para se aproximar do governo federal. Uma articulação que o governador capixaba não teria sucesso se empreendesse sozinho.