Uma chapa para disputar o governo do Estado tendo como titular o governador Paulo Hartung, candidato à reeleição, e como vice o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) está em andamento, dependendo apenas de pequenos acertos.
Guardadas debaixo de sete chaves, as conversas se fixam em um nome para substituir a candidatura à Câmara dos Deputados, na vaga de Vidigal, cuja reeleição é tida como garantida, com mais de 100 mil votos.
A estratégia de Hartung teria relação com sua ausência na inauguração do Aeroporto de Vitória, no último dia 29, provocando mal-estar entre membros da equipe do governo do Estado e do presidente da República, Michel Temer, presente ao ato com alguns ministros.
À tarde do mesmo dia, o governador divulgou nota deixando transparecer que seu posicionamento se relacionava com as prisões pela Polícia Federal de amigos e auxiliares de Temer, ganhando visibilidade na mídia nacional como o “bom moço”. Deixando de comparecer ao evento, ele limpou o terreno, abrindo a possibilidade de fechar alianças com outros partidos, sem o risco de ser considerado contrário aos objetivos do partido.
Além disso, aproveitou a oportunidade para capitalizar dividendos eleitorais, justificando a ausência para não se comprometer com eventuais candidaturas do MDB ligadas ao governo federal, denunciado mais uma vez por crimes de corrupção, inclusive com prisões de amigos e assessores diretos.
Essa articulação altera o cenário político no Espírito Santo, deixando Hartung livre e Sérgio Vidigal com ampla possibilidade de construir, como exige a Nacional, o palanque ao presidenciável do seu partido, Ciro Gomes, cuja possibilidade de ganhar a eleição é remota.
A escolha para a disputa de deputado federal poderá recair em um nome até então desconhecido e, dentro dessa perspectiva, não podem ser descartados nomes próximo a Hartung, inclusive secretários que estão deixando os cargos nesta semana para concorrer às eleições de outubro.
Paralelamente, emissários do governador estiveram no ato de filiação do delegado Fabiano Contarato ao Rede Sustentabilidade, do prefeito Audifax Barcelos, opositor de Vidigal. Com esse movimento, Hartung contribuiu para confundir o mercado político deixando, mais uma vez, a sua marca nos relacionamentos partidários.
'Barca de PH'
A cinco dias do fechamento da janela partidária, período em que é permitida a troca de partido sem perda do mandato, Hartung trabalha nomes que fazem parte de sua base de sustentação e terão total apoio do governo para se eleger.
Navegam na chamada “Barca de PH”, os seguintes nomes: os deputados estaduais Rafael Favato (PEN); Erick Musso, Luzia Toledo, Hércules Silveira, José Esmeraldo e Marcelo Santos, do MDB; Raquel Lessa (Pros), Janeta de Sá (PMN), Dary Pagung (PRP) e Enivaldo dos Anjos (PSD).
E ainda: Rodrigo Coelho (PDT), Marcos Mansur (PSDB), Hudson Leal (Podemos), Eliana Dadalto (PTC), Nunes (PT), Marcos Bruno (Rede), Jamir Malini (PP), Esmael Almeida (MDB), Gilsinho Lopes (PR) e Sandro Locutor (Pros).
Também fazem parte do bloco os secretários – e subsecretários – de Estado Vandinho Leite (PSDB), César Colnago (PSDB), Rodney Miranda (PRB), Júlio Pompeu (PDT), André Garcia (sem partido), Neuicimar Fraga (PSD), Zezito Maio (MDB), Devanir Ferreira (PRB) e Enio Bergoli.

