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Hartung faz discurso para fora do Estado e capixabas respondem com panelaço

Em entrevista à jornalista Míriam Leitão, na Globo News, na noite desta quinta-feira (9), o governador Paulo Hartung (PMDB) voltou a chamar de chantagem, a greve da Polícia Militar. No momento em que o governador era entrevistado (23h30) houve um penalaço em alguns bairros da Grande Vitória. Uma situação inesperada para quem até a semana passada gozava de uma imagem de projeção nacional em excelência em gestão. 

Durante o programa, que durou cerca de 30 minutos, o panelaço prosseguiu. O protesto era uma manifestação da população contra o impasse na negociação entre o governo do Estado e Polícia Militar. O impasse, que entra nesta sexta (10) no seu sétimo dia, causou a morte de 110 pessoas, saques, roubos, furtos e arrombamentos. Há uma semana a população, em panico, segue trancada dentro de casa.

A manifestação foi organizada pelas redes sociais e se espalhou desde o início da noite. Com a população praticamente presa em casa há mais de uma semana, a sensação é de que a corda esticou demais e os prejuízos políticos para o governador aumentam na mesma velocidade que sua imagem política se deteriora.

Na entrevista, porém, a impressão foi de um discurso que não era voltado para os capixabas, mas uma tentativa de minimizar ou fortalecer a imagem do governador para fora do Estado. Aparentemente, a imprensa e os meios políticos de fora não interpretam a crise no Estado da mesma forma que o capixaba.

A estratégia do governador foi a de endurecer o jogo com a Polícia Militar, responsabilizando a corporação pelo caos que se instalou no Espírito Santo. Na entrevista, o governador disse que a tabela de reajuste apresentada pelos representantes do movimento foi “inventada” e que o salário da PM do Espírito Santo é o 10º do País. Disse ainda que o salário não deve ser o mesmo nos Estados, respeitando as diferenças econômicas de cada ente federativo.

Sempre dirigindo o discurso para o País, Hartung ressaltou que o momento era de reflexão. Disse que era preciso reconstruir o País, discutir a estabilidade das contas dos Estados. Criticou também a insustentabilidade da Previdência. Todos temas nacionais.

Perguntado se não teria ido longe demais no ajuste fiscal, o governador disse que não, que ele foi do tamanho ideal para o Espírito Santo e que o funcionalismo deveria entender o momento do Estado. Acrescentou que não era o momento de defender o corporativismo e olhar para o “o umbigo e o dedão do pé”. Hartung recorreu até ao já gasto discurso das perda com o crime ambiental cometido pela Samarco, que paralisou as atividades da empresa, que teria trazido um prejuízo de 5% na arrecadação.

Sobre a crise na segurança pública, o governador afirmou que houve uma manobra para o movimento fosse deflagrado enquanto ele estava sendo submetido a uma cirurgia. Disse que o procedimento aconteceria depois do Carnaval, mas teve de ser antecipado. Os policiais teriam aproveitado sua ausência para, com a conivência de parte dos oficiais, deflagrar a greve.

já no final do programa, adotando um tom de otimismo, afirmou que a vai promover uma reestruturação na Policia Militar que não vai deixar “pedra sobre pedra”. Ele deu a atender que os mais de 100 assassinatos ocorridos na última semana podem se transformar em punição para os militares, já que o movimento é inconstitucional. 

 

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