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Hartung mantém distância do PT, mas quer ser reconhecido como ???liderança responsável???

Paulo Hartung (PMDB) e outros 26 governadores se reúnem com Dilma na tarde desta quinta-feira (30) no Palácio do Planalto, em Brasília. Na pauta, a presidente busca fechar um pacto de governabilidade com os chefes dos executivos estaduais e pedir a ajuda deles na aprovação das pautas que estão enroscadas no Congresso. Com dificuldade para articular com deputados e senadores, Dilma busca a interlocução via governadores. 
 
O governador capixaba, que vem repetindo que a crise pode abrir oportunidades, tenta aproveitar o caótico momento político-econômico nacional para se consolidar como “governador da liderança responsável”. 
 
Hartung vem se preparando estrategicamente para o encontro há dias. Ele não queria chegar na reunião como “mais um governador” de um estado pouco expressivo no cenário nacional. 
 
Para aumentar sua estatura política perante os colegas, Hartung, na última semana, “cavou”’ dois espaços importantes na grande imprensa nacional. Na quinta-feira passada (23) foi personagem central na coluna da jornalista Maria Cristina Fernandes, no Valor – um dos principais veículos de economia do País. 
 
Uma semana depois, nesta quinta-feira (30), justamente no dia da reunião com Dilma, o governador capixaba ganhou destaque em O Globo. Nos dois jornais, Hartung imprime um discurso com a mesma matriz: quer ser reconhecido entre os governadores como referência para o enfrentamento da crise político-econômica que o país atravessa. 
 
Para construir essa referência, o governador passou a colecionar algumas frases de efeito, que vem repetindo nessas pautas “cavadas” na grande imprensa ou mesmos em discursos públicos. 
 
Hartung se preocupa em manter uma distância de segurança de Dilma e do PT, mas, ao mesmo tempo, tenta ser reconhecido como arauto da “nova política”. O termo ganhou força com Marina Silva nas eleições presidenciais de 2014, que buscou se consolidar como candidata da terceira via com o apelo de que era possível fazer política de uma outra maneira no Brasil.
 
Na entrevista ao jornal carioca, Hartung não fala em firmar pacto de governabilidade com Dilma, mas defende a “convergência”, mas um vocábulo da “nova política”. E ensina: “É fundamental o exercício da liderança responsável. Se formos para a luta política insana, vai dar errado para todo mundo, para quem está governando agora e para quem estiver depois”. Hartung tenta mostar com as frases que um político à frente do seu tempo. O homem público que sempre põe o compromisso com o país (ou do Estado) na frente do seu projeto político pessoal.
 
Para desarmar as minas colocadas no Congresso, que tentam implodir a governabilidade da presidente petista, o governador também tem a receita. Ele reitera o respeito ao Congresso e recomenda o caminho do diálogo – “em casa” ele faz exatamente o inverso: interfere excessivamente na Assembleia e é avesso ao diálogo. Mas para fora o discurso da “nova política prevalece. “Interessa hoje o país gerar mais despesas na Previdência? Temos que flertar com a responsabilidade fiscal, isso nos permite avançar economicamente. A crise é muito grave e qualquer despesa nova neste momento atrapalha muito”, adverte Hartung, num discurso que também serve para reforça a importância da política de austeridade adotada pelo Estado. 
 
Por essas e outras declarações a coluna do Valor da semana passada cravou que Hartung era um dos nomes cogitados pelo PMDB para disputar a Presidência da República em 2018. Lisonjeado com a lembrança, o governador recorreu à falsa modéstia para dizer que havia outros nomes na sua frente na fila. 
 
Se realmente Hartung não pretende chegar tão longe, as notícias em dois dos principais jornais do país na última semana podem servir como um bom cartão de visita do governador no encontro com Dilma. Se as frases de efeito estrategicamente escolhidas por Hartung colarem, ele pode sair da reunião como um dos principais articuladores do pacto, ou melhor, da “convergência”, como ele prefere chamar para ficar mais autoral. 

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