Os movimentos de Paulo Hartung em relação à crise nacional e agora à tragédia do rio Doce têm chamado a atenção da classe política e provocado leituras diversas sobre as pretenções do governador para 2018. Uma delas, que começa a ganhar força, é de que o peemedebista esteja pavimentando uma candidatura ao Senado, que até pouco tempo era descartada pelas lideranças do Estado, que davam como certo o projeto de reeleição de Hartung.
Mas essa pavimentação prevê uma articulação que garanta ao governador uma chegada ao Senado com capilaridade para alça-lo a um posto de ministro o algo que o valha. Ele, que já passou pela Casa, gostaria de fazer parte desta vez da ''elite'' e não mais ''jogar'' na “série B”.
Paralelamente a seu projeto, Hartung estaria articulando a manutenção de seu grupo político à frente do Palácio Anchieta, cumprindo assim o compromisso com os aliados de não disputar a reeleição, apoiando o nome de seu vice-governador César Colnago (PSDB).
Embora essas promessas de Hartung não tragam confiança à classe política, por causa da movimentação de 2010, quando o governador havia construído a sucessão ao lado de seu então vice, Ricardo Ferraço (PMDB) e depois virou a mesa, preterindo o vice e passando a apoiar, em nome de um acordo nacional, Renato Casagrande (PSB).
Para os meios políticos, com a crise econômica o governador Paulo Hartung adotou uma postura propositiva, no sentido de reunir os demais governadores do Sudeste, em busca de propostas que amenizem a briga entre os estados.
Além disso, ele tem colocado a situação econômica do Estado na vitrine nacional para ganhar projeção. Hartung se esforça para vender a ideia de que descobriu a receita para enfrenatar a crise e já colhe os primeiros resultados dessa reorganização, que ele quer replicar para outros estados do País como um modelo bem-sucedido de gestão.
Neste sentido, o governador vem conquistando visibilidade em nível nacional e ganhando capilaridade política em Brasília, onde nunca teve musculatura política com as lideranças de peso.

