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Hartung pode enfrentar terceira disputa com aliados em menos de um ano

A possibilidade de o deputado estadual Josias Da Vitória vir a encabeçar uma chapa para disputar a presidência estadual do PDT contra o “eterno” presidente do partido, deputado federal Sérgio Vidigal, acende mais uma vez a luz de alerta no Palácio Anchieta. O governador Paulo Hartung (PMDB) pode estar prestes a enfrentar a terceira disputa nos partidos que sempre estiveram ao lado dele no cenário estadual. 
 
A primeira movimentação preocupante para o grupo de Hartung aconteceu em maio deste ano, com a eleição do PT. João Coser, então secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado, deixou a pasta para disputar a presidência do partido, mas enfrentou um duro processo eleitoral contra o deputado federal Givaldo Vieira, que empunhou a bandeira do desembarque do PT do governo Paulo Hartung. Givaldo só não liquidou a fatura em função de uma manobra forte do grupo de Coser durante o encontro do partido, que reverteu votos de última hora para conquistar, a duras penas, o comando da legenda.
 
Mesmo vencendo a disputa para a presidência, Coser teve de aceitar a resolução tirada no encontro de saída do partido do governo Paulo Hartung, o que impede, caso Hartung continue no PMDB, de os partidos caminharem juntos – pelo menos oficialmente – nas eleições de 2018. O PT encerrou a eleição, mas continuou dividido e deve ir assim para o processo eleitoral. 
 
O outro gasto de energia muito forte aconteceu na disputa do PSDB capixaba. O vice-governador César Colnago disputou a presidência do partido contra o prefeito de Vila Velha, Max Filho. A disputa estabelecida no PSDB novamente vem vencida pelo candidato do governo, no caso, Colnago, por uma diferença apertada de 12 votos de diferença. Colnago venceu mas o partido saiu da disputa bem dividido. 
 
Na disputa do PDT, caso aconteça, a premissa será a mesma. Vidigal é aliado de primeira hora do governador Paulo Hartung. Da Vitória tem imprimido um perfil opositor ao governo do Estado na Assembleia, sobretudo no que diz respeito ao trato do governo com a Polícia Militar, sua primeira base eleitoral, depois do movimento de fevereiro passado. Esse perfil, que está desalinhado com a atual direção do PDT, é que fortalece Da Vitória entre algumas lideranças que pedetistas que já não são tão favoráveis à permanência do partido na base de Hartung. 
 
Além da aliança com Hartung, outro problema que as três lideranças fortes dos partidos enfrentam é seu próprio desgaste. Coser foi a grande aposta do PT em 2014 na disputa ao Senado e saiu da eleição sem nada. Desde que deixou a prefeitura de Vitória, lá se vão cinco anos de planície, o que também enfraquece sua liderança no partido. 
 
Colnago é vice-governador, mas não conseguiu convencer os correligionários sobre a participação do partido no governo, já que a maioria dos quadros não são “tucanos orgânicos” e sim aliados palacianos. A expectativa de que o governador preparasse Colnago para a sucessão foi apagada logo após a eleição e apenas no início deste ano que Hartung passou a dar mais espaço para que seu vice tentasse se credenciar à disputa de 2018. 
 
Já Vidigal tem o mérito de ser o deputado federal mais bem votado em 2014, mas isso não apaga o fato de ter sofrido duas derrotas consecutivas em seu principal reduto eleitoral: a Serra. Os comentários nos bastidores políticos de que ele poderia, inclusive, disputar a Assembleia Legislativa, para ficar mais próximo de seu eleitorado. 
 
A dúvida nos meios políticos é se o governador vai mais uma vez se movimentar para garantir a vitória de um aliado à frente de um partido tão importante quanto o PDT tem sido para suas disputas políticas. Ao que tudo indica, sim.

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