Na manhã desta quarta-feira (29), enquanto os deputados estaduais aprovavam o Orçamento do Estado para 2018, o governador Paulo Hartung participava de um evento em Vitória, promovido pelo Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades) para discutir a conjuntura nacional e local.
Chamou atenção da classe política o fato de o evento acontecer na mesma semana em que o projeto nacional do governador parece ter naufragado com o anúncio do apresentador Luciano Huck que declarou que está fora da corrida presidencial e da consolidação do consenso em torno do nome do governador Geraldo Alckmin para a presidência do PSDB e, consequentemente, se viabilizando para a disputa presidencial em 2018 como representante do “centrão”.
Esses acontecimentos inviabilizam a movimentação do governador, que tentava se fixar no mercado nacional com a imagem de liderança de centro, oferecendo-se como vice na chapa de Huck que acabou não vingando. O projeto nacional de Hartung ficou também mais distante com a ascensão de Alckmin dentro do PSDB. O governador paulista mostra ter mais estofo que Hartung para fazer as vezes de candidato de centro.
Diante do enfraquecimento das movimentações nacionais, Hartung agora tenta redirecionar a narrativa de sua “gestão de sucesso” para dentro do Estado. No evento desta quarta, Hartung escorou seu discurso ao lado de figuras conhecidas do mercado, como a do economista e ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do jornalista e comentarista político da Globo News, Gerson Camarotti.
No evento desta quarta, o governador Paulo Hartung afirmou que apesar da crise socioeconômica que castiga o país, o Espírito Santo já tem em caixa recursos suficientes para pagar as despesas deste ano. Hartung atribuiu o feito a política de austeridade fiscal implantada pelo Estado. O novo movimento visa a tentar reabilitar Hartung com o eleitorado capixaba, que segue arredio com o governador.
O discurso do governador aponta para a necessidade de manutenção do trabalho por ele conduzido, como uma espécie de alerta para o eleitorado de que essa recuperação é frágil e não pode correr risco, ou seja, que ele ou seu grupo precisam permanecer à frente do Estado.
“Estamos em processo de recuperação. É importante que essa recuperação tenha sustentabilidade. Não pode ser de curto tempo e, para isto, temos que ter a capacidade de dialogar com a população para explicar a necessidade de tocar a agenda de reformas estruturais do país”, destacou Hartung.
Outro elemento que chama atenção é a promoção do evento. O debate comemora os dez anos do Sincades, que vem sendo um dos principais beneficiários de renúncias fiscais do Estado e, por isso, também interessado na continuidade no projeto de Hartung à frente do Espírito Santo.

