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Hartung se divide entre entregas no interior e palestras fora do Estado

A mudança de perfil de gestão do governador Paulo Hartung (PMDB) a partir de junho passado é bem perceptível para a classe política. Se ele passou todo o primeiro semestre dando preferências aos eventos fechados e evitando as aparições públicas, nos últimos três meses tem participado efetivamente de agendas externas ao lado de aliados, especialmente nos municípios do interior do Estado. Paralelamente, o governador tem buscado recuperar sua imagem que acabou sendo arranhada nacionalmente devido à crise da segurança e o envolvimento do seu nome na Lava Jato. 
 
O governador que vinha sendo figura carimbada na imprensa nacional, exibindo seu modelo de gestão que deu certo, foi “congelado” de fevereiro até o início de agosto – período que coincide com a crise na segurança e vai até o arquivamento da investigação pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nesse último mês Hartung voltou a ser pautado pela grande imprensa. Nessa quinta-feira (1), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, em longa entrevista ao jornal Valor Econômico, elogiou o governador capixaba. Chegou a dizer que, caso decidisse disputar a eleição em 2018, chamaria Hartung para sua chapa. “Se entrasse nisso [na política] iria chamá-lo’’, afirmou Barbosa.
 
Nas andanças pelo Estado, a partir de levantamento feito pela reportagem de Século Diário, só no mês de agosto, foram 15 agendas cumpridas nos municípios do interior. O governador fez entregas de obras, assinatura de ordens de serviço, participou de eventos e palestras locais para falar do “sucesso” de sua política de ajuste fiscal. Hartung passou por Itapemirim, Apiacá, Cachoeiro de Itapemirim, Guaçuí, Afonso Cláudio, todos no sul do Estado. Na região norte e noroeste, percorreu Colatina, Marilândia, Linhares, Aracruz e Nova Venécia, entre outros. 
 
Na agenda fora do Estado, este mês, Hartung participou de um encontro político em Brasília, com o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ)  e com o presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati. Hartung também foi a São Paulo para divulgar o modelo de gestão capixaba no Instituto Fernand Braudel de Economia.
 
Hartung vinha construindo uma imagem de excelência em gestão para fora do Estado, estratégia que o colocou até entre os nomes possíveis para compor uma chapa presidencial. Tudo isso ficou em suspensão a partir de fevereiro, quando estourou o movimento dos familiares dos policiais militares, que causou uma crise na segurança do Estado sem precedentes. A caos na segurança, com a explosão de homicídios e crimes contra patrimônio, passou a colocar o Espírito Santo no noticiário nacional e internacional negativamente, afetando fortemente a imagem do governador. Hartung passou a ser associado não mais ao gestor que superou a crise econômica, mas ao gestor que não conseguiu evitar a crise na segurança pública. 
 
Nos dois primeiros anos de seu governo, Hartung defendeu a política de austeridade, que cortou recomposições salariais dos servidores do Estado e dos investimentos nas áreas sociais e paralisou obras e entregas em todo o Espírito Santo. Com a chegada dos novos prefeitos, porém, Hartung pretendia fazer um ano de entrega, se aproximando dos novos gestores, mas foi pego de surpresa por uma sucessão de acontecimentos que o deixaram confinado no gabinete durante todo o primeiro semestre do ano. 
 
Em maio, porém, ao retornar de um recesso para se recuperar de um tratamento de saúde para retirada de um tumor na bexiga, o governador parece ter decidido retomar as pautas externas, com um objetivo claro para a classe política: recuperar sua imagem, começando com o eleitor do interior Estado, que lhe garantiu a eleição em 2014, e preparar o terreno para, mais tarde, retomar as ações de visibilidade na Grande Vitória, onde Hartung enfrentou dificuldades na disputa ao governo com Renato Casagrande (PSB) em 2014.
 
Em julho, o governador passou por cerca de 20 cidades e também esteve em cidades da Grande Vitória, em Cariacica, Vila Velha, Serra e Vila Velha. Na Capital, a agenda foi no aeroporto de Vitória e sem a presença do prefeito Luciano Rezende (PPS), seu desafeto político.
 
Nessa retomada de agenda, a primeira aparição, com o governador ainda pisando em ovos, aconteceu em Águia Branca, no final de maio, assim que retornou das férias impositivas para se recuperar da saúde. A visita mostrava o governador testando a recepção da população local, ao lado de aliados, em um município que Hartung ainda não tinha passado em sua gestão. Em junho, mais confiante, a agenda incluiu cerca de 20 municípios. Nessas incursões Hartung entregou um pouco de tudo, de praça a barragens; de máquinas agrícolas a casas populares.
 
Segundo os meios políticos, as movimentações de Hartung têm surtido efeito. Se a sucessão de pautas negativas no primeiro semestre desgastaram a imagem do governador, ele parece estar conseguindo, aos poucos, recuperá-la para dentro e para fora do Estado. Na agenda local, o desafio agora é quebrar a resistência do eleitor da Grande Vitória. O passaporte para se reaproximar desse eleitorado ele já tem: o deputado estadual Amaro Neto (SDD), que deve emprestar ao governador seu melhor atrativo: o apelo popular.

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