terça-feira, abril 7, 2026
22.4 C
Vitória
terça-feira, abril 7, 2026
terça-feira, abril 7, 2026

Leia Também:

Hartung tenta ofuscar reunião técnica e puxar para si solução para o impasse da BR 101

O imbróglio sobre a duplicação das obras da BR-101, de responsabilidade do grupo EcoRodovias, trouxe desgaste para o governador Paulo Hartung (PMDB) no momento em que ele tentou politizar a questão e puxar para si o protagonismo para solucionar o impasse com a concessionária. Desde a semana passada, o próprio Hartung havia colocado muita expectativa na vinda ao Estado do ministro dos Transportes Maurício Quintella para debater o assunto. Semana passada, o governador foi a Brasília e se reuniu com o presidente Michel Temer para encaminhar as discussões, apontando que estava dado o pontapé inicial para buscar uma solução para o impasse.
 
Mas o encontro dessa segunda-feira (31) mostrou pouco poder de articulação do governador com as lideranças da bancada capixaba. Poder que a senadora Rose de Freitas (PMDB) demonstrou ter devido sua proximidade com a equipe de Temer. Teria partido dela a proposta de debater o assunto na Superintendência Regional do DNIT, em Bento Ferreira, em Vitória. 
 
A reunião de trabalho, que aconteceu na manhã dessa segunda-feira (31), contou com a presença do ministro dos Transportes, da bancada capixaba, representantes da ECO 101 e do DNIT. A reunião foi tensa, com cobranças diretas dos representantes da bancada à ECO 101. Desse encontro também saíram as deliberações em torno do impasse sobre o cronograma de duplicação da rodovia
 
Na parte da tarde, o governador fez questão de se reunir com o ministro e convidou para o encontro apenas o senador Ricardo Ferraço (PSDB) e o deputado Lelo Coimbra (PMDB). O deputado Marcus Vicente (PP), coordenador da comissão que acompanha a concessão da 101, na Câmara, também teria sido convidado mas não compareceu, alegando compromisso partidário em Brasília.
 
A atitude do governador, além de revelar que há um ruído com a bancada capixaba, pôs em primeiro plano a questão política em detrimento da busca de solução para o impasse da duplicação da BR. Na queda de braço com a senadora Rose de Freitas, o governador ficou atrás por não aceitar dividir os méritos da movimentação com a parlamentar. 
 
Além disso, o encontro no Palácio Anchieta deixou transparecer a busca do governador em se reaproximar de lideranças que pareciam ter sido “esquecidas” por ele. Desde a malfadada tentativa de filiação ao PSDB, a relação entre Hartung e Ricardo Ferraço visivelmente havia esfriado. Mas de uns tempos para cá, o governador vem tentando refazer os laços políticos com o senador tucano. 
 
O mesmo vale para o deputado federal Lelo Coimbra, que sentiu que não podia mais contar com Hartung, desde a eleição do ano passado à prefeitura de Vitória, em que o candidato do PMDB foi solenemente ignorado pelo Palácio Anchieta. 
 
Lelo entendeu o recado e passou a seguiu seu caminho, buscando se fortalecer junto ao frágil governo Temer, que não está em condições de rejeitar apoio. O deputado ganhou a liderança da maioria na Câmara e passou a ser novamente interessante para o governador, que não tem mais a mesma capilaridade e a unanimidade no comando da bancada capixaba. 
 
Também chamou atenção a ausência de Marcus Vicente, uma liderança que nunca foi próxima de Hartung, mas que recentemente estava em um processo de aproximação com o governador. O não comparecimento do deputado do PP soou como mais um recado ao governador.
 
Hartung já não tinha aproximação com os dois deputados do PT, Helder Salomão e Givaldo Vieira, esse último defensor da saída do partido da base do governador. Com o racha entre Hartung e Theodorico Ferraço, a deputada Norma Ayub (DEM), mulher do deputado estadual, também deixou o circulo político do peemedebista. 
 
Sérgio Vidigal (PDT) tem uma relação antiga com Hartung, mas também não estaria satisfeito com o espaço dado ao partido no governo. Paulo Foletto (PSB) também sempre foi bem-recebido no Palácio, mas seu comprometimento como presidente do PSB no Estado, o obriga a estar no grupo de Renato Casagrande, forçando a uma escolha. 
 
Os deputados Jorge Silva (PHS) e Carlos Manato (SD) foram reeleitos no palanque do governador, mas não dependem dele para construir seus caminhos em 2018, por isso, a imagem do governador até lá pode definir se eles se aproximam ou não. Até aqui, Manato e Jorge Silva têm mantido uma distância segura do governador. 
 
Evair de Melo, de saída do PV, pode acompanhar Hartung para o DEM, embora também não dependa dele para suas movimentações políticas. 
 
Na bancada do Senado, o único nome com o qual Hartung tem condições de se reaproximar é Ricardo Ferraço. Rose de Freitas se torna cada vez mais um nome para disputar a eleição ao governo em 2018, embora lhe falte apoio, tem força política e pode representar um problema no caminho do governador. Magno Malta (PR) tem buscado caminhos que passem longe do Palácio Anchieta para 2018, seja para uma disputa à reeleição, para o qual já teria conversado com Renato Casagrande, seja no desenho de candidatura à vice-presidente ao lado do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC). 

Mais Lidas