Em sua participação, fechando nesse domingo (22) o encontro de lideranças empresárias em evento promovido pela Rede Gazeta em Pedra Azul, o governador Paulo Hartung retomou o discurso de busca de alternativas para sair da crise sem abrir o cofre.
Para os meios políticos, o discurso foi mais uma vez para fora do Estado, como ele mesmo admitiu. Precisamos mexer no País. Por isso estou me envolvendo na política nacional”, disse ao jornal A Gazeta. O governador estaria tentando aumentar a projeção de sua imagem, legitimando a estratégia de enfrentamento da crise. As medidas de austeridade, justificadas por um “quadro caótico” inflado pelo próprio governo, serviu internamente para mandar os prefeitos que bateram à porta do Palácio Anchieta atrás de dinheiro, de pires vazios para seus municípios. A mensagem do governador era de que os prefeitos seguissem a mesma receita amarga para enfrentar a crise.
Com o cofre fechado, Hartung disse aos gestores que não houve preparação para a crise, que não tinha recursos e que os prefeitos deveriam buscar alternativas para equilibrar suas contas. Esse discurso ele leva agora para o cenário nacional, tentando emplacar o trabalho feito no Espírito Santo como um exemplo a ser seguido pelos demais estados brasileiros.
Paralelamente, Hartung deixa transparecer o afastamento da aliança que fez com o tucano Aécio Neves nas eleições de 2014, ao mesmo tempo em que mostra que o governo federal precisa de ajuda para sair da estagnação. Ele cutuca Dilma e Aécio: “Quem ganhou não entendeu o recado das urnas, não trabalhou para agregar um pedaço do País. E quem perdeu não desceu do palanque”, disse.
Neste sentido, o governador se apresenta como o detentor de uma solução que serviria de exemplo para o País. “O dever de casa do capixaba está sendo feito, mas precisamos mexer no País. Por isso, estou me envolvendo mais na política nacional para dar uma contribuição para o País achar o caminho”, acrescentou o governador à reportagem de A Gazeta.
Nesse ponto ele abre o espaço para que a presidente Dilma adote o mesmo expediente, negando o socorro aos governadores que correm ao governo federal para pedir ajuda. Assim, Hartung apareceria como um interlocutor entre o governo federal e os governadores, mostrando que os gestores estaduais precisariam buscar alternativas para retomar o crescimento sem recorrer aos cofres presidenciais.
Desde o fim do processo eleitoral de 2014, Hartung tem buscado uma posição neutra na disputa nacional. Embora não se aproxime muito da presidente Dilma Rousseff e do PT, ele também não tem adotado o discurso da oposição, liderada pelo seu parceiro de palanque Aécio Neves. Por isso, os indícios de que ele estaria de malas prontas para o ninho tucano, começam a ficar turvos.
Nacionalmente, Hartung não tem uma boa imagem com as lideranças partidárias. Por isso, a tendência é de que ele esteja construindo um caminho que possa levá-lo tanto à reeleição como deixar uma porta aberta no cenário nacional.

