Em meio à festa tucana com a filiação do senador Ricardo Ferraço ao PSDB, nessa terça-feira (1), chamou a atenção do mercado político a movimentação para tentar emplacar o governador Paulo Hartung (PMDB) no novo contexto político que se desenha. A ideia seria a de destacar um interesse do ninho tucano na filiação do governador para que pudesse disputar pelo partido ou ao governo ou ao Senado em 2018, voltando a ter duas opções para trabalhar com a dúvida.
Mas nos bastidores, a intenção de deixar a porta aberta do PDSB para Hartung partiu do próprio governador . A informação teria o objetivo de testar a reação do senador Ricardo Ferraço a essa possibilidade. Isso porque, ao dizer que o partido poderia oferecer a vaga ao Senado a Hartung, automaticamente fecharia a porta para a reeleição de Ricardo Ferraço. De quebra, o governador mantém a porta aberta com o PSDB para uma futura aliança em 2018.
O senador foi para o ninho tucano para ter garantida sua candidatura à reeleição, uma movimentação que tem grande interesse do ninho tucano nacional. Além disso, ao sair do PMDB de Hartung, Ricardo Ferraço leva o PSDB para um outro patamar no jogo político do Estado, podendo negociar tanto com Hartung quanto com outra liderança no processo eleitoral de 2018, o ex-governador Renato Casagrande, que representa o PSB – partido estratégico para as pretensões do PSDB de governar o País.
Paralelamente, a tentativa do PPS de buscar diálogo com o PSDB em Vitória para eleição deste ano, tendo como foco o interesse do projeto nacional tucano, que passa necessariamente pelo apoio do PPS, pode aumentar o potencial de uma aliança posterior também com o PSB, de Casagrande.
Ao criar a dúvida sobre sua possível migração para o ninho tucano, Hartung não fecha a porta para a negociação com o partido no futuro. Na notícia publicada no jornal A Gazeta desta quarta-feira (2), “fontes palacianas” afirmam que o governador Paulo Hartung é uma liderança cobiçada pelo PSDB capixaba. Essa informação é um tanto controversa. Os tucanos, durante a cerimônia de filiação de Ricardo, não transmitam esse desejo de ter Hartung no ninho. Ao contrário, grande parte do PSDB se sente desprestigiada com o espaço dado ao partido no governo, desproporcional ao espaço cedido ao PT, principal adversário do PSDB. Sem contar que o vice-governador César Colnago tem tido um espaço muito aquém das suas expectativas.
No campo nacional, a relação entre o presidenciável Aécio Neves e o governador Paulo Hartung também não seria de lua de mel, sobretudo depois do segundo turno das eleições presidenciais no Espírito Santo, em que o governador não teria mostrado empenho no palanque tucano, o que contrinuiu para a presidente Dilma Rousseff (PT) tivesse um desempenho eleitoral no Estado bem melhor do que o esperado pelos tucanos.
O próprio tempo colocado para a possível filiação também levanta suspeitas no mercado sobre as verdadeiras intenções de Hartung. Como governador, a migração pode ser feita a qualquer momento, mas ele prefere adiar a definição, alegando a necessidade mínima de debate com o governo petista, que ficaria prejudicada com a migração. Na verdade, o que prejudica a relação de Hartung com o governo federal é sua posição pouco influente no cenário nacional e as posições pouco consistentes nos processos políticos anteriores. A decisão de deixar ou não o PMDB agora ou depois não tem relação com o momento político do País, mas tem a ver tão somente com as estratégias pessoais do governador, que quando achou conveniente trocou de partido como quem troca de camisa.

