O ano de 2017 ainda está começando, mas o governador Paulo Hartung (PMDB) já tem acumulado desgastes em série em sua imagem com uma sequência de crises. Para todos os casos o governador, que sempre tentou passar uma imagem de gestor apolítico, tem invertido o discurso, e passou a classificar todos os movimentos como conspiração política.
Durante o mês de janeiro, o movimento que levou a eleição da Mesa Diretora da Assembleia, sofreu uma forte interferência palaciana para estancar um movimento político que costurava na Casa. O governador aproveitou o movimento para tirar da presidência Theodorico Ferraço (DEM), que caminhava para quarta recondução à presidência.
Em fevereiro, a crise da Polícia Militar forçou o governador a voltar antes do tempo de São Paulo, onde foi fazer uma cirurgia para extrair um tumor da bexiga. Ao chegar no Espírito Santo, Hartung disparou contra a Assembleia, dizendo que havia uma conspiração nos bastidores da Casa para desestabilizar o governo. Isso porque o grupo do movimento de mulheres que parou a PM por 22 dias se reuniu com os deputados dentro e fora da Assembleia.
Depois uma nova tese conspiratória foi construída. Hartung partiu do pressuposto que o movimento teria sido organizado com o apoio de atores políticos ultraconservadores, como o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), por meio do deputado federal Carlos Manato (SD), no Espírito Santo.
Passada a crise, os holofotes se voltaram para o debate da eleição da Associação dos Municípios do Estado (Amunes). O governador interveio no debate em defesa de seu candidato na disputa, o prefeito de Linhares Guerino Zanon (PMDB). Hartung alegou que havia uma tentativa de politizar a entidade. Isso porque do outro lado estava a chapa do prefeito de Viana, Gilson Daniel (PV), que contava com o apoio da senadora Rose de Freitas (PMDB), desafeta política do governador.
Alias, os recados que o governador tenta impor no mercado sobre essa tal “conspiração política”, para os observadores do cenário estadual estão voltados para as articulações da senadora, sua principal desafeta política e que já se colocou como um nome em condições de disputar o governo do Estado em 2018.
O episódio mais recente de “conspiração” envolve o prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS), que ameaça tirar a gestão dos serviços de água e esgoto da capital das mãos da Cesan e entregá-lo a outra empresa. O plano de Luciano é considerado pelo governador um acinte. Para Hartung, a ideia do prefeito não tem nada de técnica, mas apenas viés político para prejudicar o seu governo, ou seja, mais uma conspiração.

