O deputado federal Helder Salomão (PT) divulgou nota defendendo que o partido entregue os cargos que ocupa no governo do Estado. O PT Estadual se reuniu no sábado (21) para discutir o assunto, mas como o grupo que defende a permanência no governo não permitiu a entrada da Juventude do partido no local, a decisão foi novamente adiada.
Em nota, o deputado federal justifica sua posição, alegando que o partido deve deixar o governo por causa da postura do PMDB capixaba, durante o processo que culminou com o afastamento da presidente Dilma Rousseff da Presidência da República.
“Defendo a saída do PT do Governo do Estado porque a conjuntura nacional pós-golpe impõe ao partido uma nova postura em relação ao PMDB, que se juntou à oposição para articular um golpe contra a democracia”, diz.
O deputado federal destaca o papel de seu colega de bancada Lelo Coimbra nesse processo. “Aqui no Espírito Santo, o presidente da PMDB foi militante pró-impeachment, assim como outras lideranças do partido que se posicionaram da mesma forma. Vamos continuar firmes em defesa da democracia e das conquistas do povo brasileiro”, afirmou o parlamentar petista.
O outro deputado do PT, Givaldo Vieira, também defende a entrega dos cargos que o partido mantém no governo do Estado. Para o deputado, é incompatível a permanência do partido em um governo que ajudou na articulação para o afastamento da presidente Dilma Rousseff.
Enquanto a bancada do PT na Câmara dos Deputados apresenta uma posição muito clara sobre o assunto, os deputados estaduais petistas seguem no sentido contrário, se esquivando do debate público e articulando a permanência no governo.
Um dos principais defensores da permanência nos cargos é o deputado José Carlos Nunes. O parlamentar teria defendido dentro do partido a manutenção dos cargos. Seria, inclusive, mais intransigente nessa discussão que o próprio secretário de Habitação e Desenvolvimento João Coser.
No final de abril, Coser chegou a cogitar a entrega dos cargos, mas recuou e essa posição se fortaleceu com a defesa do grupo de Nunes pela permanência no governo.
A relação do PT com o governo do Estado foi conturbada desde a eleição de 2014. O governador Paulo Hartung foi eleito no palanque do senador Aécio Neves (PSDB), que contrapôs o governo Dilma Rousseff no embate nacional. Grande parte da militância foi contrária à entrada do partido no governo, justamente por causa dessa configuração eleitoral.
Essa articulação, porém, não passa pelo viés partidário. Coser é uma liderança que faz parte do grupo de Hartung. Teria recebido, inclusive, o apoio informal do peemedebista em sua campanha ao Senado, em 2014, na tentativa de derrotar Rose de Freitas (PMDB), que apesar de correligionária, é antiga desafeta política de Hartung.
A base e lideranças de correntes contrárias à aliança já recorreram até à Nacional do Partido para tentar romper a aliança Coser-Hartung, mas até o momento, as lideranças ligadas ao secretário conseguem, com a maioria no diretório do partido no Estado, manter o acordo.

