O desgaste político oriundo da permanência de quadros do PT capixaba na equipe de governador Paulo Hartung (PMDB), sobretudo após o peemedebista ter se alinhado à movimentação do vice-presidente Michel Temer e contra a presidente Dilma, vem criando mal-estar dentro do partido.
Principalmente porque uma boa parte do PT capixaba foi contra a entrada de lideranças petistas na equipe de governo de Paulo Hartung. O governador esteve no palanque de Aécio Neves (PSDB-MG) na eleição de 2014, e desde o início daquele processo havia muita polêmica sobre o papel do PT nas eleições estaduais. Segundo Perly Cipriano, há muita insatisfação dentro do partido diante das atitudes do governador Paulo Hartung, neste momento de crise no governo federal. Sobre o posicionamento indefinido de Hartung, o petista cita Dante Alighieri, em “A Divina Comédia: “As partes mais quentes do inferno estão reservadas àqueles que nunca se definem em períodos de crise”, deu o recado.
O partido acabou lançando como candidato ao governo o deputado estadual Roberto Carlos (PT), movimentação que foi vista pelos meios políticos como uma forma de fortalecer o palanque de Hartung. Além disso, os comentários no mercado na época eram de que havia um apoio clandestino de Hartung à campanha ao Senado do ex-prefeito de Vitória João Coser, que acabou se tornando seu secretário de Desenvolvimento do Estado.
A articulação para a entrada do PT no governo aconteceu ainda em dezembro de 2014 e também rendeu muita polêmica na época. Um grupo de 77 filiados, entre eles a ex-deputada Iriny Lopes, a ex-senadora Ana Rita Esgario, o ex-deputado estadual Claudio Vereza e Perly Cipriano, enviou um documento à Nacional do partido, questionando a entrada do PT na equipe de governo Hartung.
O documento foi endereçado ao presidente nacional do partido, Rui Falcão, e destacava que o peemedebista fizera campanha para Aécio Neves no Espírito Santo. O grupo também cita a aliança de Hartung com partidos tradicionais de oposição aos petistas, como o PSDB, do vice-governador César Colnago, e o DEM, do prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda.
“Recorremos ao Diretório Nacional do PT para rever e tornar sem efeito a decisão recorrida, estabelecendo que o PT do Espírito Santo e seus filiados não podem participar de um governo hegemonizado por PSDB, DEM e setores do PMDB que fazem oposição declarada ao nosso projeto e ao governo Dilma”, afirmam os signatários do documento na ocasião.
Nos bastidores do partido, depois dos episódios que sinalizaram para uma aproximação entre Hartung e o vice-presidente Michel Temer (PMDB), já haveria um movimento para pressionar os petistas a desembarcarem do governo Hartung.

