segunda-feira, abril 6, 2026
23.9 C
Vitória
segunda-feira, abril 6, 2026
segunda-feira, abril 6, 2026

Leia Também:

Ignorar Carnaval no Centro de Vitória deve trazer desgaste político para Luciano Rezende

A postura do prefeito Luciano Rezende (PPS) de não dar apoio ao Carnaval de blocos no Centro de Vitória foi duramente criticada pelos foliões e moradores nas redes sociais. Isso porque, diferentemente do Desfile das Escolas de Samba da Grande Vitória, o carnaval de blocos, que vem crescendo a cada ano na cidade, não recebeu qualquer estrutura por parte da prefeitura. Pior, o prefeito ignorou solenemente a festa: nem apoiou, nem proibiu, simplesmente se omitiu.

Nos meios políticos a situação também repercutiu muito mal para o prefeito. A impressão foi de que a omissão de Rezende teria o objetivo de aumentar o desgaste do governador Paulo Hartung (PMDB), seu principal desafeto político, que já vem amargando o ônus da crise na desconstrução de sua imagem de excelência em gestão. Isso porque, a greve da Polícia Militar foi um movimento causado pela política de cortes de gastos do governo do Estado.

Se essa foi a estratégia política do prefeito, não deu certo. Isso porque o movimento acabou na sábado (25) de Carnaval. Aí caberia à prefeitura requisitar o policiamento e planejar as ações do evento nas ruas do Centro, o que não aconteceu. Afinal, mesmo com a PM parada, o prefeito manteve o Carnaval em Vitória, uma semana antes, quando a situação era bem mais grave. Enquanto bairros da periferia da Grande Vitória continuavam sem policiamente e a presença das Forças Nacionais era precária, Luciano pediu e recebeu apoio para fazer o Carnaval que ele considerava oficial. 

Além dos relatos de tiroteios, arrastões e ameaças no Centro, o som alto durante todas as noites sem qualquer fiscalização do Disque Silêncio, a falta de banheiros químicos, atendimento médico e outros serviços de infraestrutura que deveriam ser oferecidos ao folião, deixaram o Carnaval do centro com cara de praça de guerra.

Os moradores ficaram presos em casa e os blocos conviveram com a insegurança em todas as esquinas. Há relatos de pessoas urinando nas paredes, homens armados no meio dos blocos, e muitas confusões entre foliões.

Quem também acumulou o desgaste com o episódio foi o vereador Vinícius Simões (PPS), que entrou no debate nas redes sociais para cobrar ações do governo do Estado sobre a falta de policiamento, deixando de lado a omissão da prefeitura na hora de dar estrutura ao evento. Morador do Centro, a postura de Vinícius foi cobrada nas redes sociais por seus eleitores.

Em sua publicação, o vereador, embora diga que não quer politizar a questão, acaba transferindo toda a responsabilidade para o movimento da PM, que na verdade já havia acabado na manhã do sábado. “A prefeitura de Vitória não consegue, sem a PM, realizar seu trabalho de fiscalização. As pessoas estão com medo, o Estado está acabando”, disse.

O vereador ainda tentou mostrar que estava amenizando a situação,  mas não evitou as críticas dos eleitos. “Como representante do Centro, deixei aqui está mensagem devido às circunstâncias difíceis que estamos vivendo aqui no bairro. Os moradores (fui acionado dezenas de vezes nestes dias) estão apavorados com o que estão vendo. Estou desde quinta-feira cobrando soluções da prefeitura e do governo do Estado, atendendo a moradores pelo meu telefone pessoal, reunindo com secretários municipais no sentido de ajudar a amenizar os desgastes”, disse.

Já o prefeito Luciano Rezende (PPS) preferiu o silêncio sobre os acontecimentos no Centro da cidade. Com uma vitória eleitoral apertada para o segundo mandato e pretensões estaduais, a postura do prefeito reforça a critica da classe política de que sua atuação é voltada para uma parte da cidade e que o tratamento desigual dado ao desfile das Escolas de Samba e ao Carnaval de rua podem ter reflexos políticos na segunda parte de sua gestão.

Mais Lidas