A denúncia de desvio de verbas públicas na Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) por meio de contratos superfaturados com a empreiteira Odebrecht, conforme denúncia do Ministério Público estadual (MPES) formalizada na Justiça no dia 17 deste mês, sinaliza para outros casos em andamento, entre eles o processo envolvendo a construtora carioca Delta.
Esse processo se encontra concluso para despacho, segundo consta nos registros do Tribunal de Justiça, com data de 20 de julho deste ano. A ação, segundo registros de março de 2017, aponta para um prejuízo aos cofres públicos na ordem de R$ 8,27 milhões, em valores atualizados, por meio de supostas irregularidades em licitações e contratos.
Na ação do Ministério Público Estadual (MPES), da mesma época, consta a relação da Delta Construções S/A e a cúpula da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), na gestão de Paulo Ruy Carnelli, empresas investigadas na Operação Lava Jato.
A denúncia foi oferecida à Justiça pelo promotor Dilton Depes Tallon Netto, que usou como base para a ação auditorias do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Os contratos 261/2008 e 89/2009 entre Delta e Cesan vigoraram entre 2008 e 2013 para obras de manutenção em elevatórias e reservatórios de água na Grande Vitória.
Além de Paulo Ruy Carnelli, foram requeridos os diretores à época, de Relações com o Cliente, Ricardo Maximilliano Goldschmidt ; de Operação Metropolitana; Carlos Eduardo Fernandes Saleme; de Operações do Interior , Carlos Fernando Martinelli; e de Administração e Meio Ambiente, Luiz Ferraz Moulin.
As duas investigações, da Odebrecht e da Delta, relacionam figuras importantes dos governos de Paulo Hartung e Renato Casagrande (PSB), dois deles ex-presidentes da empresa de saneamento, Paulo Ruy Carnelli, atual secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, e Neivaldo Bragato, hoje secretário-chefe de gabinete de Hartung.
Na denúncia envolvendo a Odebrecht, o Ministério Público denuncia 19 pessoas por improbidade administrativa, com pedidos de bloqueio de bens e quebra de sigilos bancários de alguns deles, também conclusos para despacho desde a última segunda-feira (23), na 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual. O rombo, neste caso, envolvendo também dois contratos com a Cesan, chega a R$ 46,8 milhões, apenas de superfaturamento, um índice de 41% dos valores globais.
Estão denunciados, com pedidos de bloqueio de bens e quebra de sigilos telefônicos entre 2008 e 2016, da construtora Odebrecht, Paulo Ruy Carnelli, Neivaldo Bragato; Ricardo Maximiliano Goldschmidt, Carlos Eduardo Fernandes Saleme, Carlos Fernando Martineli, Luiz Ferraz Moulin e Sandra Sily.
São citados na ação, também, Celso Luiz Caus; Denize de Moura Cadete Gazzinelli Cruz; Renato Lorencini; José Eduardo Pereira; Moacir José Uliana; Romeu Souza Nascimento Júnior; Hélio de Souza; Maria Elisabeth Camatta Bockel; Genivaldo Cotta; Fernando Rodrigues da Matta Baptista; e Dalton Luís da Cunha Ramaldes.
A atual denúncia, também assinada pelo promotor Dilton Depes Tallon Netto e ainda Graziela Argenta e Manoel Milagres de Silva Ferreira, tem causa no valor de R$ 1, 9 bilhão.

