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Justiça suspende diplomação do prefeito eleito de Viana

A juíza eleitoral de Viana, Maria Aparecida Lopes Gomes, suspendeu, nessa segunda-feira (17), a diplomação do prefeito eleito do município, Gilson Daniel (PV), e do vice, José dos Santos da Silva, o Faustão (PDT). A magistrada acolheu o pedido liminar do Ministério Público Eleitoral (MPE), que acusa o prefeito de compra de voto e o recebimento de dinheiro não contabilizado (caixa dois) na campanha. Gilson Daniel nega qualquer ligação com acusados de tráfico de drogas. 

A solenidade de diplomação estava marcada para a última sexta-feira (14), mas foi adiada pela juíza para esta quinta-feira (19). Neste intervalo, o promotor eleitoral do município, Zenaldo Baptista de Souza, deu entrada com o pedido de abertura de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o prefeito e vice-prefeito eleitos. A acusação tem como base uma documentação sigilosa recebida do juízo da Vara de Inquéritos da Capital. 

Durante o monitoramento telefônico de acusados de participação no tráfico de drogas, o nome do prefeito eleito Gilson Daniel foi citado em uma conversa entre dois interlocutores. Na interceptação telefônica, um comerciante identificado como Maninho, filho de um ex-candidato a vereador do município e dono de um restaurante, teria pedido apoio financeiro para ajudar na campanha do candidato do PV. 

De acordo com a denúncia do MPE, Maninho teria pedido a contribuição do primo Ismael Martins Falcão – que foi preso durante a Operação Das Cerol – no valor de R$ 1,5 mil para a campanha do prefeito eleito. Na ligação, o comerciante recorreu ao parente após a viagem de uma terceira pessoa que contribuiria para a doação de R$ 3 mil à campanha do verde. O prefeito eleito, no entanto, nega qualquer ligação com qualquer um dos acusados. 

Gilson Daniel afirma que Maninho teria entrado em contato com ele para pedir que comprasse marmitex no restaurante do pai no dia da eleição, mas ele negou o pedido: “Estou surpreso com tudo isso. Querem macular uma eleição limpa por conta de um telefonema que não me envolve, com pessoas que não conheço. É querer ir contra um resultado insofismável, que mostra a vontade da população que rejeitou a continuidade de uma oligarquia política com 20 anos no município”. 

O prefeito eleito cita que durante a campanha não houve qualquer suspeita de irregularidade e a prestação de contas foi aprovada sem qualquer ressalva. “Não recebi dinheiro nenhum, minhas contas de campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. Nunca pensei que derrotar uma oligarquia fosse cair em cima de mim”, afirmou. 

Gilson Daniel afirmou que sua defesa já está recorrendo da decisão no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES). “Espero que a Justiça Eleitoral modifique essa decisão, que está em total desencontro com a verdade. Se houve abusos foi do outro lado. Fomos de 'pé no chão' atrás dos eleitores, mostrando a necessidade de mudança em Viana”.

Na disputa, o verde derrotou a deputada estadual e ex-prefeita Solange Lube (PMDB). Gilson Daniel obteve 20.256 votos contra 11.882 votos da peemedebista. 

Na ação, a promotoria pede ainda a anulação das eleições municipais, caso seja reconhecido o abuso de poder dos denunciados após a instrução do processo. O caso tramita na Justiça Eleitoral sob o número: 402-89.2012.6.08.0047.

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