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Lançamento precoce de Amaro mexe com cenário eleitoral ao Senado

O lançamento do nome do deputado Amaro Neto (SD) ao Senado, com a presença de dois terços da Assembleia Legislativa, em um almoço nesta terça-feira (22), é visto nos meios políticos como uma atitude inédita no Estado, dada a sua antecipação. O movimento pode mexer profundamente no processo eleitoral ao Senado para o ano que vem. 
 
A movimentação coincide com a votação no Congresso sobre a mudança no sistema eleitoral, com a possibilidade certa de que a disputa do próximo ano será pelo distritão, por isso os parlamentares visam a uma articulação que garanta um palanque forte para que disputem a reeleição.
 
Nesse sentido, ter Amaro Neto capitaneando a disputa do “grupão” fortalece a busca por votos em um sistema em que os mais bem votados se elegem. Daí a necessidade de mostrar de antemão que a candidatura de Amaro tem o rótulo da Assembleia. 
 
Mas o próprio deputado se encarrega de mostrar que a movimentação não é isolada ao declarar que sua pretensão de disputar o Senado tem o aval palaciano. O que chama atenção é o fato de que o governador Paulo Hartung (PMDB) não tem esse perfil de antecipar o processo eleitoral, adiando sempre que possível as decisões de seu grupo político.
 
Adiar as decisões sempre fez parte das estratégias do governador e é feita a partir da observação de Hartung dos processos eleitorais no País. Ele deixa isso claro em entrevista ao jornal Valor Econômico, publicada na semana passada, ao avaliar o cenário nacional das últimas eleições. 
 
“Se você olhar as últimas eleições, as últimas duas ou três, você vai ver uma coisa muito forte: a decisão pelo líder ocorre muito em cima da hora. Não menosprezo pesquisas, mas os elementos que elas trazem nos dias atuais são muito frágeis em relação aos processos que aconteceram há dez, quinze anos atrás. O processo e a decisão eleitoral está acontecendo muito próximo do dia da eleição”, disse o governador ao jornal.
 
A candidatura de Amaro para o Palácio Anchieta, porém, ajuda na estratégia de Hartung de limpar o campo. Se na disputa ao governo o peemedebista já conseguiu eliminar muitos obstáculos do caminho, podendo se dedicar ao enfrentamento à senadora Rose de Freitas (PMDB), que parece ser o palanque adversário mais provável, na disputa ao Senado ainda há muita bruma para ser dissipada. 
 
Dentro desse contexto, a entrada precoce de Amaro Neto no processo pode ajudar a definir as composições do palanque, dando ao governador um certo controle na disputa, sobretudo em relação ao senador Ricardo Ferraço (PSDB). 
 
Além de Ferraço, que é o candidato mais concreto à disputa pela reeleição, outros atores devem ser pressionados a se decidir sobre o pleito. O senador Magno Malta (PR), que disputaria um eleitorado parecido com o de Amaro Neto, vem oscilando entre a disputa à reeleição e uma investida para a composição de chapa com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ). 
 
Outros nomes que são cotados para a disputa também teriam que se posicionar, como o deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB), que teria de deixar o ninho tucano para disputar a vaga e poderia trazer um fôlego grande à disputa, em outra sigla, como a Rede, com quem vem flertando. 
 
O ex-governador Renato Casagrande (PSB) também pode entrar para compor um palanque puxado por Rose de Freitas (PMDB) e disputar com chances. Ele vem conduzindo um projeto de debate da conjuntura política do Estado, mas grande parte da classe política não acredita em um novo enfrentamento dele com Hartung pelo governo, mas na disputa ao Senado o ex-governador pode fortalecer o palanque de oposição ao governador.

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