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​Lei de Bolsonaro impede recomposição inflacionária, diz governador na Assembleia

Ao prestar contas, Casagrande reiterou posição de secretariado sobre pleito de servidores e lamentou a falta de um plano nacional de vacinação

Hélio Filho/Secom

Ao prestar contas referentes ao exercício de 2019 na Assembleia Legislativa, nesta segunda-feira (7), atraso justificado pela pandemia da Covid-19, o governador Renato Casagrande (PSB) afirmou que sua gestão está impedida de atender ao acordo de recomposição inflacionária dos profissionais de segurança por força da lei do Governo Jair Bolsonaro, de socorro aos municípios (Lei Complementar nº 173/2020), que determinou a suspensão de qualquer ação nesse sentido até o final de 2021. A declaração foi dada em resposta ao deputado Capitão Assumção (Patri), que reclamou, também, da falta de diálogo com a Frente Unificada de Segurança Pública. 

“A lei é clara e me impede de fazer qualquer reposição”, reiterou o governador, repetindo posicionamento já manifestado por representantes do seu secretariado aos servidores públicos. Além das categorias de militares e civis reunidas na Frente, que expuseram uma faixa na galeria, o mesmo pleito é reivindicado há meses por entidades representativas reunidas na Pública – Central do Servidor, que realizaram um ato em frente ao legislativo durante a prestação de contas desta segunda.
Também representante das forças de segurança, o delegado Danilo Bahiense (sem partido) retomou o assunto durante suas perguntas, mas o governador emendou: “Vocês que têm boa articulação com o presidente, podem conversar com ele”. Assim como as entidades de servidores, Bahiense e Assumção defenderam que a lei não impede a revisão geral, já que não se trata de reajuste salarial, e sim de direito previsto na Constituição.

A sessão híbrida, com parte dos deputados presentes no plenário da Assembleia e outros de forma remota, começou às 15 horas, com um relato do governador sobre as atividades desenvolvidas no exercício de 2019 e também de 2020. 

Ele destacou medidas de combate à Covid-19, alertou para a falta de definição de um programa de controle por parte do governo federal, citou vários projetos de mobilidade urbana, rodovias, segurança pública, saúde e educação, e anunciou investimentos de macrodrenagem na região da Grande Vitória, além de ações que irão permitir a reaquecimento da economia e contra o avanço da pandemia, principalmente a questão das vacinas.

“Estamos prontos para vacinar”, disse Casagrande, lamentando a indefinição do governo Bolsonaro no momento em que a vacinação já está começando em vários países e, no Brasil, com o governo de São Paulo, que anunciou seu cronograma. Os governadores têm uma reunião nesta terça-feira (8) com o ministro Eduardo Pazuello, quando reforçarão o apelo para que sejam compradas todas as vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Muito atraso significar perder vidas”, apontou o governador, lembrando que em média morrem 600 pessoas por Covid-19 no País. Ele chamou a atenção para a necessidade dessa medida ser adotada com urgência, a fim de haver, também, a retomada da economia.

Antes de iniciar a prestação de contas, o governador apresentou três projetos de lei ao legislativo. O primeiro sobre o índice de participação dos municípios para possibilitar mais recursos na área de educação via Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o segundo sobre energia renovável e, o último, que irá possibilitar a regularização de imóveis na fazenda Maruípe, em Vitória.

O govenador destacou os momentos difíceis do início do ano, provocados pelas fortes chuvas de janeiro e fevereiro, que “exigiram maior atenção” e, em seguida, a pandemia. “Foi difícil fazer gestão, mas fizemos”, ressaltou, destacando o equilíbrio das contas públicas, com a repetição da nota A em gestão fiscal, com equilíbrio entre receita e despesa, e o melhor desempenho no Brasil no ensino médio, medido pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), este questionado por Sergio Majeski (PSB). O deputado alertou que o índice “mascara realidade nos municípios e no Estado”, por não considerar o número de alunos em idade escolar fora da escola, e cobrou diálogo e respostas para o anúncio de suspensão das atividades na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Desembargador Carlos Xavier Paes Barreto, na Praia do Suá.


A prestação de contas do governador do Estado é feira anualmente na Assembleia Legislativa, como obriga a Constituição Federal, que prevê apresentação de relatório de gestão referente ao exercício anteriorA Lei Estadual 7.920/2004 determina que essa sessão especial deve ocorrer dentro dos primeiros 30 dias de cada sessão legislativa, o que não aconteceu devido à pandemia da Covid-19. 
O governador participou da sessão especial acompanhado da vice-governadora, Jaqueline Moraes (PSB), e de parte do secretariado, entre eles o de Saúde, Nésio Fernandes, alvo, mais uma vez, do Capitão Assumção, que voltou a se referir a ele como “médico cubano” ao fazer uma pergunta ao governador. O incidente levou o presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos), a chamar a atenção do parlamentar, alertando-o que o governador era quem deveria ser inquirido.

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