Dos dez deputados da bancada capixaba, apenas Lelo Coimbra (PMDB) e Marcus Vicente (PP) disseram “sim” ao relatório do deputado federal Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) que barrava abertura de investigação sobre a denúncia de corrupção enviada à Câmara pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A sessão para examinar o relatório de Abi-Ackel começou na manhã dessa quarta-feira (2) e só foi encerrada por volta das 22h, quase 13 horas depois de ser aberta.
O presidente Michel Temer (PMDB) se safou de ser afastado do cargo por até 180 dias graças aos votos de 263 deputados (Temer precisa ao menos de 172 votos favoráveis ao relatório de Abi-Ackel. Outros 227 votaram contra o relatório, dentre eles os oito deputados da bancada capixaba. O placar da Câmara registrou ainda 19 ausentes e duas abstenções. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM), não votou.
Desde que a denúncia chegou à Casa, a maioria dos deputados — nas diversas enquetes feitas pela imprensa — já havia se posicionado a favor da investigação do presidente. Fora o líder da maioria de Temer na Câmara, Lelo Coimbra, que por motivos óbvios já havia declarado voto contra a denúncia, Marcus Vicente, Evair de Melo (PV) e Norma Ayub (DEM) ainda se mantinham reticentes. Costumavam dizer que ainda estavam estudando a denúncia.
Do grupo dos indecisos, Norma demonstrava ser a mais inclinada a votar contra o presidente. De outro lado, Vicente e Evair pareciam mais vulneráveis ao assédio dos interlocutores do Palácio do Planalto. Horas antes da votação dessa quarta-feira (2) Evair ainda mantinha mistério sobre seu voto, mas na hora H acabou votando contra o relatório que barrava a investigação.
Na justificativa do voto a favor de Temer, Marcus Vicente, mostrando certo constrangimento, usou a retomada do crescimento econômico. “Pela estabilidade econômica, geração de emprego e renda, pelo controle da inflação, pela queda dos juros, eu voto com e relatório”, afirmou Vicente.
Lelo também enalteceu a retomada do crescimento econômico, evitando fazer a defesa aberta do presidente. “Pelo fortalecimento da jornada de restauração da economia”.
Entre os que votaram contra o relatório que blindava Temer, alguns deputados da bancada capixaba deram um voto mais exaltado, sobretudo os dois petistas: Givaldo Vieira e Helder Salomão. Sérgio Vidigal, seguindo a posição contra Temer demarcada pelo PDT, fez um discurso mais duro. “Pelo fortalecimento da Lava Jato, pelo princípio de que a lei vale para todos”.
Paulo Foletto (PSB) destacou que a Câmara tem de funcionar como caixa de ressonância da sociedade, que queria a investigação da denúncia. Jorge Silva (PHS) evocou a ética e a moralidade para dizer não ao relatório. Evair de Melo, que fazia mistério sobre o voto, disse que não poderia compactuar com a corrupção. “Nunca seremos coniventes com esse mal”. Norma Ayub, sem delongas, disse um seco “não”.

