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Luciano Rezende coleciona desafetos e se isola na busca à reeleição

O prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), vai para a disputa à reeleição no próximo ano com uma preocupação que o assombra desde a posse em 2013: os adversários políticos que querem derrotá-lo. O problema é que desde sua chegada à prefeitura, a lista de desafetos só aumenta. Cada vez mais isolado, o prefeito vai complicando sua busca à reeleição.

A lista de desafetos de Luciano começam dentro do próprio partido. A incapacidade do prefeito de Vitória de agregar, torna hoje o PPS um partido forte só no papel. Três lideranças de peso estão no PPS mas não estão. Os principais quadros da legenda estão insatisfeitos com a linha de comando que Luciano dá à sigla. Recentemente, o partido criou dificuldades para a desfiliação do deputado estadual Amaro Neto – o recordista de votos à Assembleia na eleição do ano passado. Ele permaneceu no PPS, mas deve deixar a sigla em breve. Também não há garantias de que ele conseguirá manter por muito tempo o deputado estadual Sandro Locutor, outro que não tem mais espaço do partido. Locutor carrega a mágoa de ser preterido como vice de Casagrande quando a chapa já estava praticamente definida. Luciano insistiu e emplacou o vereador Fabrício Gandini, queimando Locutor.

O prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho, já trava uma batalha interna com Luciano Rezende há tempos. Hoje Juninho desistiu de enfrentá-lo, e por isso, o prefeito de Vitória perde a possibilidade de unir forças com o prefeito da cidade vizinha, o que poderia aumentar sua musculatura política.

O prefeito não tem só desagradado os correligionários, mas acumula desafetos desafetos fora do partido. Um dos principais e mais importantes “inimigos” políticos de Luciano é o governador Paulo Hartung (PMDB). Luciano Rezende não gostou da forma como a composição para a disputa à prefeitura de Vitória foi articulada. Luciano contava com o apoio incondicional de Hartung, de quem sempre foi um aliado de primeira hora, mas o peemedebista escolheu o palanque de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), a partir dai a relação entre os dois azedou.

Sua costura com o então governador Renato Casagrande (PSB), que viria a ser o principal adversário político de Hartung no Estado, afastou definitivamente o peemedebista do prefeito. Rezende vem tentando a todo custo se reaproximar de Hartung, mas o governador vem preparando um caminho eleitoral em Vitória justamente para derrotar o prefeito.

O seu adversário em 2012, Luiz Paulo, também é um desafeto perigoso. Mesmo tendo um perfil pacifista, o tucano é o derrotado da última eleição e por isso se torna um candidato forte por causa do desempenho questionável do prefeito à frente da Capital. Quem também não quer ver Luciano Rezende pela frente é o senador Magno Malta (PR), que apoiou sua candidatura até o fim e depois foi abandonado pelo prefeito.

O “desafeto” mais difícil de Luciano se reaproximar, porém, parece ser o eleitor. As medidas polêmicas da prefeitura causaram um grande desgaste com a cidade e colocam em risco suas possibilidades de reeleição. Luciano se enrolou com problemas aparentemente simples de serem resolvidos e importantes para a cidade, como a divisão do espaço entre ciclistas, skatistas e pedestres no calçadão de Camburi. Depois foi pressionado pelos ciclistas sobre as ciclovias e ciclofaixas, problemas que até hoje não tiveram uma solução satisfatória.

Mas o erro estratégico mais sentido pela população foi o “Integra Vitória”, que prejudicou grande parte da população com a redução de linhas de ônibus, sobretudo em pontos estratégicos da cidade, como nos morros. As críticas apontam que Luciano Rezende governa apenas para a faixa litorânea da cidade, esquecendo-se da população mais carente e peca justamente no principal problema da cidade: a mobilidade urbana.  

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