A prestação de contas de Luciano Rezende, nesta quinta-feira (23), na Câmara de Vitória, foi uma espécie de simulação do discurso que o prefeito do PPS deverá adotar durante a campanha à reeleição em 2016.
Boa parte dos 40 minutos de sua fala e durante as quase três horas da sabatina dos vereadores, Luciano atribuiu à crise financeira os percalços da sua administração à frente da prefeitura de Vitória. O prefeito comparou os números deste ano com os dois primeiros anos de sua gestão para mostrar que a saúde financeira da prefeitura é grave.
Ele explicou que Vitória vem experimentando quedas sucessivas de arrecadação com o fim do Fundap (Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias). Luciano disse que antes do Fundap Vitória arrecadava até 27% da fatia de ICMS do Estado divida entre os municípios. Ele disse que este ano a arrecadação deve cair para 15%, e em 2016, para 14%. Acrescentou que esses índices, em cifras, significam uma perda aproximada de R$ 280 milhões/ano aos caixas da prefeitura.
Apesar do cenário antagônico, Luciano quer usar a crise a seu favor. E convencer o eleitor que ele é o candidato mais preparado para domar a crise.
Luciano, que foi eleito em 2012 como o “prefeito da mudança”, vai precisar, no entanto, de um discurso muito mais convincente para justificar à população por que as prometidas mudanças não saíram do papel.
Esse, provavelmente, também deverá ser o mote dos adversários do prefeito, que não vão aceitar a queda de arrecadação como desculpa para a fraca avaliação da gestão. Afinal de contas, a crise será um fantasma presente na maioria dos palanques, para o bem ou para mal. Costuma levar a pior quando o assunto é crise, quem está com a caneta na mão.
O prefeito pôde sentir um pouco dessa pressão quando Reinaldo Bolão (PT) e outros vereadores apertaram o prefeito sobre o reajuste dos servidores. Luciano recorreu à crise para dizer que em 2013 e 2014 fez a reposição integral da inflação aos servidores, mas que este ano o caixa não lhe permitiria acompanhar os índices inflacionários. Ele ainda alegou que as contas da prefeitura já estão esbarrando no teto da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), e que não poderia tomar medidas irresponsáveis.
Os vereadores, porém, sobretudo os da oposição, deixaram claro que esse argumento não os convenceu e tampouco convencerá os mais de 15 mil servidores que, como boa parte da população, esperavam que as prometidas mudanças fossem pra melhor.