Chamou a atenção da classe política a solenidade de despedida de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) da presidência do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes). Pré-candidato a prefeito de Vitória, o tucano fez uma cobrança sutil de apoio do governador Paulo Hartung (PMDB) em seu palanque na disputa deste ano.
Ao receber as congratulações pelos 14 meses à frente do banco, momento em que ressaltou a capacidade de trabalho e competência de Luiz Paulo, o governador parece ter aberto a brecha para que o tucano cobrasse, ainda que de forma velada, o apoio à candidatura, como aconteceu na eleição passada.
O governador, porém, engoliu a seco à cutucada do tucano, mas o clima criou inquietação no mercado político da Capital. Vitória é a segunda maior vitrine política do Estado e deve concentrar as atenções da classe política, já que deve ser o principal palco da disputa indireta entre o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e Paulo Hartung.
Além do constrangimento do momento, o governador deve ser surpreendido por outras saias justas ao longo da disputa pela prefeitura da Capital. A equação para Hartung resolver é complicada. Em em tese, ele trabalha com nada menos que três nomes na disputa: o próprio Luiz Paulo, Amaro Neto (SD) e Lelo Coimbra (PMDB). A dúvida do mercado político é como Hartung vai equalizar esse apoio entre três palanques.
Para os meios políticos, a expectativa do governador seria a de pulverizar o cenário para desidratar o prefeito Luciano Rezende (PPS), que se elegeu com o apoio de Renato Casagrande em 2012, principal desafeto do governador e com quem ele vai travar uma disputa indireta na eleição deste ano.
Além de Luiz Paulo, que recebeu o apoio do governador na disputa eleitoral de 2012, Amaro Neto parece ser o nome de preferência do Palácio Anchieta. Já o deputado federal Lelo Coimbra, que é do mesmo partido do governador, e deveria ser seu candidato natural, tem sido publicamente ignorado pelo chefe do Executivo estadual.
De outro lado, Casagrande já definiu com certa antecedência seu palanque, repetindo o apoio ao prefeito Luciano Rezende. Já o governador Paulo Hartung, que articulou a pulverização de candidatos como estratégia, não deve subir em nenhum deles, deixando para se posicionar no segundo turno. Para alguns observadores, porém, essa entrada no jogo no segundo turno pode ser tardia, dando vantagem ao socialista na disputa indireta.

