O senador Magno Malta (PR) divulgou um vídeo em sua página no Facebook (abaixo) nessa quarta-feira (12) repleto de simbolismos. Malta aparece sozinho no Plenário do Senado, questionando o desaparecimento dos colegas. Ele lembra que a pauta da Casa está cheia e não entende por que todos, exceto ele, é claro, ???desertaram??? o trabalho.
Depois do tsunami trazido pelas delações dos ex-executivos da Odebrecht, que envolve 24 senadores da República, Malta quer mostrar ao seu eleitor que saiu ileso da crise, que a Lava Jato não o atingiu, como aconteceu com boa parte do Parlamento. Na verdade, como a sessão fora cancelada, nem todos que não estavam presentes, necessariamente, queriam correr da Lava Jato.
???Apenas um parlamentar no plenário do Senado Federal nesta quarta-feira. Mesmo com matérias importantes em pauta, a sessão foi cancelada. Senador Magno Malta, ocupando sua cadeira, sozinho, estranhou o esvaziamento do plenário. Será efeito da lista da delação do fim do mundo? Não justifica, com certeza, era para todos senadores, inclusive os citados pelo Ministro Fachin, estarem no Congresso. Para Magno Malta, hoje, uma voz isolada, o Senado Federal vazio, em plena quarta-feira, aumenta no sentimento do povo a indignação, que colabora com a crise de autoridade que vivemos.???, dizia a chamada do vídeo.
O vídeo de Magno Malta é de um tremendo senso de oportunismo. O senador do PR percebeu no Plenário vazio a oportunidade de induzir o eleitor a acreditar que ele é um dos poucos políticos honestos neste País. A estratégia de Malta parece ter funcionado. O vídeo, até a manhã deste domingo (16), foi visualizado por 1,3 milhão de pessoas; outras seis mil comentaram a postagem do senador, a maioria reconhecendo sua conduta como exemplar aos demais políticos.
?? esse o Magno Malta que vem em busca de mais um mandato no Senado em 2018. Sozinho, pode ser a palavra-chave desse cenário, que é positivo para o senador. Em um momento de profunda crise, o senador passa um recado para seu parceiro de ???palanque antecipado??? Ricardo Ferraço (PSDB). Malta vinha construindo uma parceria com Ricardo, citado na lista de Fachin, acusado de receber, via caixa dois, R$ 400 mil da Odebrecht para sua campanha ao Senado em 2010.
Depois da divulgação das delações, o namoro entre os dois senadores que tinha tudo para acabar em casamento em 2018, em uma dobradinha que tinha a pretensão de fechar os assentos do Senado para os dois, deve esfriar daqui para frente. Sinal do iminente rompimento é que o republicano não saiu em defesa do companheiro de bancada desde que as denúncias eclodiram em Brasília. Desde o início do mês, Malta vem fazendo eventos populares e tem dado carona para Ricardo Ferraço, que busca dar um banho de povão à imagem associada às elites. A ???Caravana da Vida??? de Malta, é uma espécie de showmícios com cantores evangélicos promovida estrategicamente em bairros populares da Grande Vitória.
O discurso de Magno Malta é um recado claro para o colega de bancada. Daqui pra frente, dificilmente o senador do PR irá querer associar sua imagem à de um investigado da Lava Jato. Pior para Ricardo, que além do desgaste das delações perde um palanque importante para seu projeto de reeleição em 2018.

