O sindicato dos Servidores Públicos do Estado (Sindipúblicos) publicou nesta sexta-feira (8) uma análise do secretariado do governador Paulo Hartung (PMDB). Diferentemente do que havia prometido durante a campanha eleitoral – que trabalharia com uma equipe constituída com base na meritocracia -, Hartung montou seu secretariado a partir de critérios políticos.
O sindicato analisou os currículos dos 50 principais gestores do governo do Estado, entre secretários, presidentes de autarquias e fundações. E a constatação foi do perfil político da equipe de Hartung.
Segundo o levantamento do sindicato, 29 gestores, o equivalente a 58% da equipe, têm ligações político-partidárias com o governador. Esses agentes não têm formação profissional na área de competência inerente à pasta que comanda. Entre os exemplos estão o engenheiro Ricardo Oliveira (Saúde); o procurador, Rodrigo Júdice (Meio Meio Ambiente); além de ex-deputados e ex-prefeitos ocupando primeiro, segundo e terceiro escalões do governo.
Entre as indicações políticas com afinidades com os cargos foram identificados 18 gestores, o equivalente a 36% do secretariado. Para o sindicato, os dados apontam que o atual governo preocupou-se mais em colocar aliados políticos para compor seu secretariado a contar com gestores a partir do mérito técnico.
O levantamento do sindicato aponta também a participação de parte do empresariado na equipe, como o secretário de Cultura, João Gualberto, que era sócio do Instituto Futura e que tem mostrado pouca habilidade para lidar com o setor, haja vista que há mais de duas semanas a classe artística vem promovendo protestos em função da inabilidade do secretário para estabelecer diálogo com os artistas.
O sindicato também aponta a indicação do sobrinho do vice-governador César Colnago (PSDB) para a direção da Prodest. Embora, a indicação de Renzo Colnago tenha sido, segundo os meios políticos, um atendimento ao pleito da ONG Espírito Santo em Ação. Já a Secretária de Governo, Ângela Silvares, é cunhada de Hartung e está no governo desde o primeiro mandato.
Ângela é auditora de carreira do Estado, mas seu cargo é de confiança. Hartung chegou a criar uma secretaria, a de Transparência, em sua primeira passagem pelo Palácio Anchieta para se adequar à legislação. Ela permaneceu no governo na gestão de Renato Casagrande como indicação de Hartung.

