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Mais uma vez prefeito de Vitória perde o controle ao não aceitar críticas da oposição

Como tem se tornado recorrente nas prestações de contas do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), mais uma vez, as críticas direcionadas à gestão do chefe do Executivo municipal não foram bem-recebidas. Na sessão especial da Câmara para a prestação de contas, nesta quinta-feira (3), Luciano pesou a mão na hora de responder os questionamentos do vereador Roberto Martins (PTB), que faz oposição declarada ao prefeito.
 
O vereador apontou cinco questionamentos em sua fala: a falta de espaço para debater com a prefeitura o Termo de Compromisso Ambiental com o Centro de Vitória; a situação do programa Porta a Porta com a integração do transporte coletivo ao Sistema Transcol; a regulamentação de uma lei, do hoje secretário de Meio Ambiente Luiz Emanoel Zouain, de combate à homofobia; a falta de wi-fi em algumas escolas da rede pública; e o reajuste dos professores da rede municipal, que desde 2014, sofrem perdas com inflacionárias. 
 
Rezende, porém, não se contentou em rebater, em muitos momentos esticou a corda tentando desqualificar as críticas do vereador, sempre com um tom de irritação pela contrariedade, embora Martins tenha se dirigido o tempo todo com tranquilidade e respeito ao prefeito. Luciano, porém, não mostrou  interesse em acatar nenhuma das sugestões ou questionamentos do vereador. Sobre o termo, pediu ao vereador que procurasse o Ministério Público, alegando que a prefeitura apenas cumpriu o determinado. 
 
Sobre o Porta a Porta, ao dizer que o vereador deveria saber como funciona o trâmite, por ser advogado, Luciano disse que a situação só se conclui antes do trânsito em julgado. Na questão da lei sobre combate à homofobia, o prefeito afirmou que não há pacificação sobre a legislação e que a prefeitura tem dificuldade em encontrar em outros estados legislação sobre o assunto. 
 
Em relação ao sinal de wi-fi nas escolas, Luciano Rezende ignorou a reclamação apresentada pelo vereador, que reflete uma reclamação dos professores de que o sistema não funciona direito, dizendo que já foi implantado em 15 escolas. A questão é que a pauta é eletrônica e muitos professores têm que atualizar notas e frequências em casa, depois do horário de trabalho. 
 
Martins também questionou sobre o reajuste dos professores e a resposta de Luciano foi negativa. Assim como se tentou fazer em vários momentos com o deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB) na Assembleia, o prefeito também tentou desqualificar as críticas de Martins à rede pública, por ele ser professor da rede privada. 
 
O prefeito afirmou que “é muito fácil quando se faz parte da rede privada, é só aumentar a mensalidade e aumentar o salário dos professores”, mas que na rede pública teria que aumentar impostos, embora os recursos da educação sejam garantidos constitucionalmente, com 25% do Orçamento.
 
Luciano disse ainda que é filho de professora da rede pública e que Martins, ao criticar a política educacional, apontando os problemas nas escolas, está prejudicando os estudantes, como se dissesse que eles não têm condições de ter uma educação de qualidade. 
 
“Vossa excelência destrói a autoestima de crianças e adolescentes que estão no serviço público. Vossa excelência quando diz que uma escola está em caos, vossa excelência manda a seguinte mensagem para o aluno: que ele nunca vai conseguir nada na sua vida, porque esse sistema é um sistema que não vai te dar uma boa educação”, disse. 
 
Sempre sacando os índices nacionais para enaltecer os resultados da sua gestão, Luciano, afirmou que, diferentemente do vereador que está há seis meses na Câmara, a prefeitura está há três anos com o melhor sistema, segundo a revista Exame. 
 
Embora o próprio prefeito tenha admitido, no início da prestação de contas, que a máquina está “inchada”, ele rebateu Martins sobre a necessidade de diminuir o número de servidores burocráticos e valorização de servidores-fim, como os professores. 
 
Em outro momento da prestação de contas, durante os questionamentos do vereador Mazinho dos Anjos (PSD), o prefeito tentou explicar a forma mais dura com a qual se posicionou em alguns momentos na sessão. Ele afirmou que valoriza mais as críticas do que os elogios, mas que não aceita a “falta de educação e a demagogia barata”. 

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