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Majeski: ‘Confunde-se harmonia com subserviência e toma lá, dá cá’

Deputado votou contra a reeleição de Erick Musso à presidência da Assembleia

Ales

O deputado estadual Sergio Majeski (PSB), autor de um pedido de abertura de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) para apurar irregularidade na reeleição do atual presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), reconduzido ao cargo nessa segunda-feira (1º), espera que nesta sexta-feira (5) a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) defina um posicionamento à solicitação, enviada também ao seu partido.

Em conversa com Século Diário, o parlamentar apontou nesta quinta-feira (4) um “jogo de interesses” em relações de grupos e sinalizou que “alguém vai levar uma rasteira”, referindo-se às articulações para as eleições gerais de 2022, enfatizando “o corporativismo e a falta de republicanismo” no meio político. Confira a entrevista.

Como avalia esse alinhamento do Legislativo com o Executivo, configurado na visita de Erick Musso e da Mesa Diretora ao Palácio Anchieta logo depois da reeleição?

– Tanto pelo que vemos no Congresso Nacional, como aqui na Assembleia Legislativa, o princípio da separação dos Poderes parece que não existe. Confunde-se harmonia entre Poderes com subserviência, conchavos, toma lá dá cá, jogos de interesses de grupos e indivíduos. O patrimonialismo, o fisiologismo, o corporativismo e a falta de republicanismo saltam aos olhos. Foi assim no governo Paulo Hartung, com Theodorico Ferraço [DEM] e Erick Musso, e continua assim no governo Casagrande. E usar a desculpa da “governabilidade” é chamar as pessoas de burras. Em nenhum momento esses acordos levam em consideração o que é melhor para a sociedade e para o próprio Legislativo. Qual a discussão que teve sobre o fortalecimento das prerrogativas do próprio Poder? Os interesses da sociedade sequer são considerados nessas negociações. O Poder Legislativo é o mais criticado e desacreditado pela sociedade e os seus mandatários não perdem uma única oportunidade de aumentar a desconfiança e o descrédito na instituição.

Quais os desdobramentos que espera ao seu pedido de abertura de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, protocolado no dia 29 na OAB-ES e no PSB? 


– Soube, de forma extraoficial, que a OAB analisará o meu pedido nesta sexta-feira. Espero que seja atendido. Quanto ao PSB, até agora não obtive nenhuma resposta, mas não acredito muito que o partido se manifestará no sentido de atendê-lo. Espero que, pelo menos, me responda com uma justificativa.

Há algum outro instrumento legal que pretenda utilizar para prosseguir denunciando a reeleição para o terceiro mandato de Erick?

– Não existe outro instrumento que eu, individualmente, possa utilizar. O instrumento correto para isso é a Ação Direta de Inconstitucionalidade, que constitucionalmente só pode ser feita por partidos, sindicatos, OAB, etc…

Sua relação com o PSB, sempre conflituosa, poderá resultar em saída do partido, para garantir espaço político no ano eleitoral de 2022? Com quais siglas tem conversado ou que seriam de sua preferência?

– Ainda não pensei nisso. Mas vou começar a analisar as possibilidades. Já tive convites de algumas legendas, mas tudo informal, por enquanto.

O processo de reeleição, a seu ver, reforça a aliança entre Casagrande e Erick Musso para 2022? 
– Aparentemente, sim. Mas como alguém disse: “em política no Brasil é difícil prever o passado, quanto mais o futuro”. No entanto, tenho a sensação de que em 2022 alguém vai levar uma rasteira nessa história. E recordando 2014, creio que gato escaldado deveria ter medo de água fria, se é que me entende (risos).
Pretende abordar o tema reeleição na primeira reunião ordinária da Assembleia, na próxima segunda-feira (8)?
– Não sei! Mas, com certeza, terei que recordar no plenário várias vezes como se deu essa eleição e a formação das comissões.

Majeski foi um dos dois deputados que votaram contra a recondução de Erick Musso para um terceiro mandato na presidência da Assembleia, mesmo posicionamento adotado pela deputada Iriny Lopes (PT). Dos 30 parlamentares, 28 votaram favoravelmente a Erick.

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