Se pela manhã uma caminhada trouxe o branco da paz para a orla de Vitória, no fim da tarde deste domingo (12) um protesto trouxe o luto para as escadarias do Palácio Anchieta. Um ato realizado pelo Movimento de Direitos Humanos e entidades da sociedade civil capixaba colocou cruzes nas escadarias da sede do Executivo estadual para lembrar os mais 140 vítimas de assassinatos da última semana no Espírito Santo.
A manifestação quis chamar atenção das autoridades, sobretudo, de fora do Estado, para a responsabilidade da política de austeridade do governo sobre o caos que se instalou no Espírito Santo desde o último sábado (4), quando a PM entrou em greve. Para as entidades, o ajuste fiscal implementado pelo governador Paulo Hartung (PMDB) em seu terceiro mandato vem gerando prejuízos para todo o funcionalismo e para a sociedade, com o estrangulamento das políticas públicas, sobretudo nas áreas de segurança, saúde e educação.
Para as entidades, as mortes da última semana, são resultantes da intransigência do governo do Estado em negociar com a Polícia Militar, prática adotada pelo governo com relação ao restante dos servidores do Estado. Com a justificativa de que não há recursos para conceder os reajustes salariais ao funcionalismo, previstos em lei, o governo não tem aberto o diálogo, embora insista que vem conversando com os servidores permanentemente.
Esta não deve ser a única manifestação contra o governador Paulo Hartung. Corre pelas redes sociais uma convocação para protesto, também em frente ao Palácio Anchieta. Está prevista uma manifestação para as 9 horas desta segunda-feira (13). Com o tema: “Governador Hartung, chega de arrogância! Negocie com a PM e libere a segurança!”. O protesto mostra que a estratégia do governo de se blindar a crise pode ter funcionado apenas em parte dentro do Estado.
Sobre o protesto dos militares, esse pode ser a ponta do iceberg para o funcionalismo. O Sindisaúde já convocou uma assembleia para o dia 15 de fevereiro às 8 horas, em frente à sede do IPJM, na Avenida César Hilal, em Vitória. A pauta de reivindicação da categoria está sendo encaminhada ao governo e à Assembleia. A categoria decidirá os próximos passos que serão tomados, não descartando a possibilidade de paralisação ou greve.

