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Manobra do governo prevalece e reunião que aprovou relatório da CPI dos Empenhos é anulada

A manobra desta quarta-feira (22) confirmou que a Assembleia Legislativa continua sendo massa de manobra do governador Paulo Hartung (PMDB). Havia uma grande expectativa em torno da sessão desta manhã. Os deputados não conseguiam esconder o clima de tensão que tomava conta do Plenário. A Mesa Diretora analisaria a questão de ordem colocada pelo deputado Euclério Sampaio (PDT), que pedia a validação da reunião extraordinária da CPI dos Empenhos, que aprovou o relatório do pedetista, encerrando os trabalhos da comissão. Euclério pleiteava também que a reunião posteriormente convocada por Gildevan Fernandes (PMDB), líder do governo e presidente da CPI, fosse invalidada. De outro lado, Gildevan alegava que a CPI não poderia ter votado o relatório na sessão extraordinária porque não era um item da pauta, acrescentando também que seu pedido de vista ainda não havia expirado. 
 
Ante a controvérsia, o presidente da Mesa Diretora, Theodorico Ferraço (DEM), preferiu lavar as mãos. Escondido atrás de um discurso democrático, Ferraço disse que não tinha opinião formada sobre a polêmica e achou melhor se manter imparcial e transferir a decisão para o Plenário. 
 
Para dar mais dramaticidade à contenda, Ferraço confidenciou aos colegas que passara a madrugada debruçado sobre a questão, mas que não achou um único antecedente nos anais da Casa que pudesse ser usado como referência para guiá-lo. 
 
Foi uma saída estratégica para Ferraço não se indispor nem com Renato Casagrande, nem com Paulo Hartung, que estavam nas extremidades da corda esticada na Assembleia. 
 
Ao ficar de fora da polêmica e repassar a decisão para os deputados, a Mesa Diretora acabou favorecendo o governador, que tem maioria no Plenário. Mas a manobra palaciana foi tão escandalosa que esse suposto favoritismo estava ameaçado. A iminência da derrota causou um corre-corre no Plenário. O clima que já era tenso ficou dramático. Os deputados governistas não conseguiam esconder o constrangimento de votar com Gildevan e carimbar uma manobra política grosseira para prejudicar o ex-governador.
 
Gildevan e Euclério tiveram cinco minutos cada para convencer os colegas sobre seus argumentos. Nesses 10 minutos, os telefones dos “indecisos” não paravam de tocar. Era o chefe da Casa Civil Paulo Roberto fazendo a pressão final nos deputados que resistiam à manobra. 
 
A votação, que foi nominal, confirmou a manobra. Quatro ou cinco vezes Ferraço ameaçou encerrar a votação, mas acabou sendo condescendente aos apelos de Gildevan, que controlando o placar, buscava a laço as “ovelhas” com surto de rebeldia que ousavam se desgarrar do rebanho.
 
Luiz Durão (PDT) e Raquel Lessa (SDD), que manifestaram nos bastidores que votariam com Euclério, não suportaram a pressão do laço e mudaram de lado na hora “H”, para alívio de Gildevan, que venceria a peleja por apenas um voto. Dos 30 deputados, Ferraço, na presidência, se absteve; outros quatro deputados “desapareceram” misteriosamente na hora da votação: Cacau Lorenzoni (PP), Marcos Bruno (Rede), Amaro Neto (Pros) e Marcos Mansur (PSDB). 
 
Votaram com Gildevan: Almir Vieira (PRP), Dary Pagung (PRP), Hércules (PMDB), Rafael Favatto (PEN), Edson Magalhães (PSD), Erick Musso (PMDB), Gildevan Fernandes (PMDB), Guerino Zanon (PMDB), Luiz Durão (PDT), Luzia Toledo (PMDB), Nunes (PT), Padre Honório (PT) e Raquel Lessa (SD).
 
Votaram a favor de Euclério: Bruno Lamas (PSB), Da Vitória (PDT), Eliana Dadalto (PTC), Enivaldo dos Anjos (PSD), Euclério Sampaio (PDT), Freitas (PSB), Gilsinho Lopes (PR), Hudson Leal (PTN), Janete de Sá (PMN), Marcelo Santos (PMDB), Sandro Locutor (Pros) e Sérgio Majeski (PSDB).
 
Logo após a derrota, o deputado Freitas justificou seu voto. Ele lamentou o viés político dado à votação. Disse que o Espírito Santo estava dando um passo de 15 anos para trás. “O Estado do Espírito Santo novamente flerta com essa posição de semear o ódio, de fazer um movimento político de colocar o Estado em risco. Qual o objetivo de desconstruir uma liderança?”, disse se referindo ao correligionário Renato Casagrande. 
 
Sérgio Majeski (PSDB) fez uma fala muito direta sobre a polêmica. Para o deputado, após a CPI aprovar o relatório por cinco votos a zero, não havia mais o que discutir. “Lamento muito o que estamos presenciando. Se uma CPI com cinco membros vota um relatório, o que há de se questionar? Fica parecendo que há algo de pessoal do líder do governo [Gildevan Fernandes] e do governo com o ex-governador Renato Casagrande. Eu acho que isso não é bom para o Parlamento, porque nós temos muitas coisas importantes para a sociedade para serem discutidas. O Parlamento e o Espírito Santo não têm nada a ver com essa briga política, com essa confusão toda. É ruim para o governo passar essa imagem de perseguição pessoal. Isso é lamentável”.
 
Os deputados que compõe a CPI e que votaram contra o governo (Euclério, Freitas, Bruno Lamas, PSB, e Josias Da Vitória, PDT), disseram que “desertariam” a comissão, que deve ser retomada apenas com Gildevan, Erick Musso (PMDB), Almir Vieira e Dary Pagung (ambos do PRP). 
 
No início da tarde desta quarta-feira, quem se manifestou nas redes sociais foi o ex-governador Renato Casagrande. Ele disse ser vítima do “discurso do ódio”. Leia a seguir o desabafo do socialista.
 
Atendendo a recurso do líder do Governo, o plenário da Assembleia Legislativa acaba de desconsiderar, por 13 votos a 12, o relatório aprovado por unanimidade pela CPI dos Empenhos na última segunda-feira, e que excluía meu nome de qualquer responsabilidade nas supostas irregularidades investigadas. Só que, desta vez, a manobra foi tão grosseira e tão violenta que se tornou impossível disfarçar as digitais do Palácio Anchieta. Cego pelo ódio e pela vaidade, o atual governador já não se limita a pressionar abertamente prefeitos e candidatos, na tentativa de me isolar politicamente. Tenta agora usar as instituições do Estado como chicote, em ataques rasteiros e mesquinhos, que fazem corar de vergonha os capixabas. Com mais de um terço do mandato concluído, sem apresentar nenhum resultado que mereça destaque, ele parece ter feito dessa desforra pessoal o principal projeto da sua gestão. Mas eu continuo confiando nas pessoas de bem que integram nossas instituições e tenho certeza que elas não aceitarão se tornar cúmplices desse verdadeiro assassinato de reputação que o atual governador tenta por todos os meios promover.

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